“Implementos vão receber R$ 5 bi do Move Brasil 2, mas demanda permanece baixa, afirma presidente da Anfir”

A inclusão dos implementos rodoviários na segunda fase do programa Move Brasil, do BNDES, gerou uma demanda inicial para os fabricantes; no entanto, as expectativas de uma recuperação consistente do mercado permanecem distantes. De acordo com José Carlos Sprícigo, presidente da Associação Nacional das Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), o programa oferece uma oportunidade de curto prazo, mas, em sua essência, funciona mais como um incentivo à antecipação de compras do que um verdadeiro indutor de crescimento sustentável.
O Move Brasil 2, lançado no final de maio, destina R$ 21 bilhões para a renovação da frota de caminhões, ônibus e máquinas, e pela primeira vez inclui implementos rodoviários. Apesar do impacto inicial limitado, com muitas empresas aproveitando a nova linha de crédito, houve represamento de faturamentos. Somente em junho, a situação começou a apresentar um reflexo mais positivo, ainda que insuficiente para atender as expectativas do setor.
A Anfir estima que os fabricantes de implementos rodoviários deverão acessar cerca de R$ 5 bilhões dos R$ 21 bilhões disponibilizados, um valor que destaca a importância do programa para a indústria, mesmo que seu efeito principal seja a antecipação de investimentos previamente planejados.
Impactos na Mobilidade
Embora o programa Move Brasil possa não ser a panaceia esperada para o setor, é inegável que a renovação de frotas e implementos pode ter efeitos positivos na mobilidade geral. Veículos mais modernos tendem a ser mais eficientes em termos de consumo de combustível e menos poluentes, o que pode contribuir para um transporte mais sustentável. Além disso, a modernização também pode resultar em melhores serviços para a população, como transporte público mais confiável.
Entretanto, o setor enfrenta desafios significativos, como juros altos e um ambiente econômico incerto, que podem levar os transportadores a hesitar na hora de investir. Com a Selic elevada, o financiamento se torna oneroso, e a cautela se traduz em um mercado menos dinâmico.
Apesar desses desafios, a Anfir mantém a projeção de que, mesmo com um cenário desafiador, o programa ajudará a sustentar uma parte da demanda. A indústria, que possui capacidade para produzir cerca de 200 mil implementos por ano, se vê diante de uma situação em que as empresas estão mais focadas em eficiência operacional do que em expansão.
Perspectivas e Exportações
Se a recuperação do mercado interno continua lenta, as exportações se apresentam como um motor de crescimento promissor para o setor. A Anfir projeta embarques entre 6 mil e 7 mil implementos neste ano, reflexo da recuperação econômica de países como Argentina e Chile. Isso sugere que, embora o mercado nacional enfrente dificuldades, há potencial para crescimento através do comércio exterior.
Em suma, a inclusão de implementos rodoviários no programa Move Brasil é um passo que, embora não resolva todas as questões do setor, pode ajudar a preparar o terreno para um futuro de mobilidade mais eficiente e sustentável.
Fonte: transportemoderno






