IPTC avalia impactos no setor de transportes – SETCESP

Por Thiago Fagotti
Entenda as camadas que formaram o preço do diesel nos últimos meses
A alta do diesel voltou ao centro do debate econômico ao longo de 2025 e início de 2026, evidenciando a sensibilidade do transporte rodoviário de cargas a variações no custo do combustível. O período recente revela uma dinâmica multifatorial em que decisões internas, ajustes tributários e eventos internacionais se combinam para moldar o preço do diesel no país.
Entre janeiro de 2025 e março de 2026, o comportamento do combustível diesel foi marcado por uma sucessão de eventos que impactaram diretamente os custos operacionais das transportadoras.
O ciclo se inicia com o reajuste promovido pela Petrobras no fim de janeiro de 2025, seguido por aumento na carga tributária estadual já no início de fevereiro. A combinação desses fatores elevou rapidamente o preço nas bombas, acionando mecanismos regulatórios e pressionando toda a cadeia logística.
Desde o fim da política de Preço de Paridade de Importação (PPI) em 2023, a Petrobras passou a definir de forma autônoma o momento e a magnitude dos reajustes, sem vinculação automática ao mercado internacional. Isso amplifica o peso das decisões internas na formação do preço do diesel e seus efeitos ao longo da cadeia de transporte.
Esse cenário destaca uma característica central do setor, que é a rápida transmissão da alta no combustível para os custos de frete. O transporte rodoviário, que depende fortemente do diesel, torna-se altamente exposto a oscilações de preço. A variação nos custos impacta diretamente os motoristas, que enfrentam um cenário desafiador ao tentar equilibrar despesas e receitas.
Nesse contexto, o gatilho regulatório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atua como um mecanismo de ajuste, atualizando os pisos mínimos de frete sempre que a variação do diesel ultrapassa certos limites. Isso cria um ambiente onde os motoristas podem, em teoria, ajustar suas tarifas com base nos custos operacionais, mas também implica incertezas, especialmente se os ajustes não forem suficientes para cobrir as variações repentinas.
Ciclos de alta e alívio no curto prazo
Após o início pressionado, o mercado registrou entre abril e maio de 2025 um movimento de alívio com sucessivas reduções no preço do diesel nas refinarias. Contudo, este recuo não se traduz de forma imediata para o consumidor final. A distribuição do combustível tem seu ritmo e intensidade influenciados por diversos agentes, resultando em defasagens entre a queda na origem e o impacto efetivo no frete. Para os motoristas, isso representa um desafio, pois a melhora nos preços do combustível pode não se refletir imediatamente em seus ganhos.
A redução acumulada foi suficiente para acionar novamente o mecanismo regulatório, ajustando os pisos de frete para baixo. Essa dinâmica bidirecional do sistema revela que tanto a alta quanto a baixa do diesel têm efeitos na estrutura de custos do transporte, exigindo dos motoristas uma constante adaptação e planejamento financeiro.
Choques externos e impacto no mercado interno
O início de 2026 adicionou uma nova camada de complexidade ao cenário. Eventos geopolíticos no Oriente Medio ampliaram a volatilidade dos preços internacionais, pressionando o custo do diesel. Esses choques, que muitas vezes estão além do controle local, impactam diretamente o mercado interno e, consequentemente, os motoristas, que se veem em um cenário de incertezas constantes.
As medidas de amenização, como a redução de tributos federais sobre o diesel, buscam conter parte da alta, mas funcionam como amortecedores parciais, sem eliminar completamente o impacto. O reajuste em sequência demonstra que as soluções adotadas nem sempre são eficazes a longo prazo. Para os motoristas, isso reforça a necessidade de uma gestão mais eficiente de custos e a busca por alternativas para mitigar os impactos das oscilações nos preços.
A elevação expressiva dos preços no período acionou o gatilho regulatório da ANTT novamente, ajustando os pisos de frete. Essa resposta rápida ilustra a interdependência entre o mercado internacional de energia e a logística nacional, afetando diretamente a rentabilidade dos motoristas e a mobilidade de cargas no Brasil. Neste ambiente complexo, é crucial que os motoristas estejam atentos a essas dinâmicas para otimizar sua atuação e garantir a sustentabilidade de suas operações.
Fonte: SETCESP






