Concessão da Régis Bittencourt de R$ 7,2 bilhões: transportadoras pedem obras.

Nova concessão da Régis Bittencourt prevê R$ 7,2 bilhões, mas transportadoras cobram obras nos gargalos

A nova concessão da BR-116, que liga São Paulo a Curitiba, promete movimentar aproximadamente R$ 7,2 bilhões em investimentos até 2041. O leilão da Régis Bittencourt, vencido pela EPR Participações em 23 de julho, estabeleceu um desconto de 22,53% sobre a tarifa básica de pedágio e prevê várias intervenções ao longo dos 383 quilômetros da rodovia.

O plano inclui 69 quilômetros de duplicações, a implantação de vias marginais, contornos urbanos, e a recuperação da infraestrutura com serviços permanentes de conservação e manutenção. Este corredor é vital para o transporte de cargas entre as regiões Sul e Sudeste, sendo importante para a mobilidade geral da economia.

Contudo, para as transportadoras, o sucesso dessa nova concessão dependerá da real capacidade de transformar os investimentos em obras que solucionem os gargalos existentes, que hoje comprometem tanto a fluidez quanto a segurança do tráfego.

Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar), ressalta que os problemas mais críticos da rodovia são bem conhecidos pelo setor. Destaque para as limitações geométricas na Serra do Cafezal, a falta de faixas adicionais em trechos de subida e a precariedade dos acostamentos, entre outros. “A nova concessão precisa ir além do recapeamento e deve ampliar a capacidade viária nos trechos críticos, implantar terceiras faixas nos segmentos de serra e criar áreas de descanso adequadas aos motoristas”, enfatiza Nery.

Gargalos afetam custo e previsibilidade

Os congestionamentos, acidentes e interdições na Régis Bittencourt resultam em horas adicionais nas viagens e dificultam o planejamento logístico das transportadoras que utilizam essa rota. O impacto vai além do tempo perdido: atrasos elevam o consumo de combustível, aumentam os custos operacionais e comprometem janelas de entrega em centros de distribuição, indústrias e terminais portuários. As ameaças de roubo nas proximidades da Região Metropolitana de São Paulo e no Vale do Ribeira também elevam esses custos, gerando insegurança para os motoristas.

Nesse sentido, a ampliação da capacidade nos pontos críticos é vista como uma medida urgente para garantir maior previsibilidade nas operações. Isso beneficiaria não apenas as transportadoras, mas também a fluidez do fluxo de bens em geral, impactando positivamente a economia regional e nacional.

Setor cobra fiscalização

O Setcepar defende que a implementação do novo contrato seja supervisionada continuamente pelos órgãos de fiscalização. A entidade argumenta que apenas assinar a concessão não assegura a entrega das obras dentro dos prazos estipulados. “A experiência com concessões anteriores nos ensina que contrato assinado não garante obra entregue,” afirma Nery, pedindo auditorias periódicas e públicas pela ANTT e pelo TCU, com indicadores claros de progresso físico e financeiro.

A nova concessão da Régis Bittencourt, portanto, destaca a relevância da execução do cronograma de investimentos como um fator crucial tanto para os usuários quanto para a mobilidade geral. Para o transporte de cargas, espera-se que esta nova fase da rodovia não apenas melhore as condições do pavimento, mas também reduza gargalos de tráfego, aumentando a segurança e a previsibilidade das viagens entre os dois maiores mercados do país.

Fonte: Transporte Moderno

Equipe Redação

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