Renovação da frota é essencial para reduzir emissões.

A substituição de veículos antigos por novos é essencial para a descarbonização. Para avançar, transportadores demandam mais opções de crédito e financiamento
Novas fontes de energia e tecnologias eficientes são cruciais na transição do transporte, mas a redução das emissões também depende da frota atual em circulação. No transporte rodoviário de cargas, veículos mais modernos têm um impacto significativo, poluindo menos e consumindo combustível de forma mais eficiente, o que resulta em melhorias operacionais. No entanto, para que essa troca ocorra de forma rápida e eficaz, é fundamental facilitar a renovação para os transportadores.
À medida que nos aproximamos da COP31, a atualização da frota deve considerar a combinação dos ganhos ambientais dos veículos modernos com a ampliação da capacidade de substituição. O acesso ao financiamento é vital, permitindo que até mesmo transportadores com menor capacidade de investimento façam essa transição.
A renovação da frota é um tema central no debate climático internacional. Na recente COP30, em Belém, esse assunto foi discutido como uma das soluções para a redução das emissões no transporte. Essa estratégia é defendida pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), pois a troca de veículos antigos promete benefícios ambientais significativos, enquanto novas tecnologias se tornam mais acessíveis para o setor.
Crédito para renovar
Em 2025, foram alocados R$ 10 bilhões, provenientes do Ministério da Fazenda e do BNDES, para criar uma linha de financiamento específica chamada Move Brasil, destinada à continuidade da substituição da frota de caminhões. A CNT analisou essa iniciativa e propôs, entre outras ações, linhas de crédito de longo prazo com condições favoráveis, adequadas à vida útil dos veículos.
A capacidade de investimento é um fator determinante na velocidade da renovação, como observa Vander Costa, presidente do Sistema Transporte. “A renovação precisa avançar de forma condizente com a realidade econômica dos transportadores. Isso implica em aumentar o acesso ao crédito e reduzir as barreiras para o financiamento.” Essa perspectiva é crucial não apenas para os transportadores, mas também para toda a mobilidade urbana, pois uma frota mais moderna resulta em um tráfego mais sustentável e eficiente.
Um trabalho que começa antes da troca do veículo
Enquanto muitos veículos ainda estão em operação, a redução das emissões também depende de suas condições de uso. O programa Despoluir, do Sistema Transporte, monitora os veículos a diesel e orienta os transportadores sobre manutenção e eficiência energética. Desde sua criação, o programa já realizou mais de 5,4 milhões de avaliações ambientais, contribuindo para entender melhor a frota em operação e ampliando o conhecimento sobre suas características.
Esses dados são valiosos para estudos da CNT e ajudam a informar os transportadores sobre suas práticas operacionais, impactando diretamente a mobilidade ao longo do tempo. Como afirma Nicole Goulart, diretora executiva nacional do SEST SENAT, “a renovação não acontece de forma instantânea, e a redução das emissões não pode esperar.” Portanto, a manutenção adequada e a eficiência no uso do combustível são essenciais até que a renovação ocorra.
O que muda com uma frota mais nova
O potencial de redução de poluentes com a atualização da frota foi detalhado pela CNT. Os caminhões na mais recente fase do Proconve apresentam limites de emissão de poluentes que são, em média, 95% menores que os dos modelos mais antigos. A CNT estimou que, em cenários de substituição, a qualidade do ar pode melhorar em até 86,3%, demonstrando que uma frota mais nova não só beneficia os transportadores, mas também toda a comunidade, promovendo um ambiente urbano mais saudável.
A composição atual da frota elucidou as dificuldades enfrentadas na renovação. Muitos caminhões ainda operam sob tecnologias antigas, e os custos dos modelos mais modernos podem dificultar a transição, especialmente para operadores de pequeno porte. No entanto, avançar nessa agenda é essencial não apenas para os transportadores, mas para todos os cidadãos que utilizam as vias urbanas diariamente.
Rumo à COP31
Esta reportagem faz parte da série Rumo à COP31, que destaca estudos e iniciativas do Sistema Transporte em preparação para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, marcada para novembro, em Antália, na Turquia. Esses esforços coletivos têm um impacto direto não apenas na estratégia de mobilidade do setor, mas também nas políticas públicas que visam um transporte mais limpo e eficiente no Brasil.
Fonte: setcesp






