Capital de giro faz montadoras repensar gestão de estoques.

Capital de Giro Leva Montadoras a Recalcular Práticas Tradicionais de Estoques na Indústria Automotiva
A indústria automotiva brasileira tem se visto obrigada a recalcular práticas tradicionais para preservar e oxigenar o capital de giro. Com um cenário marcado por juros elevados e maior rigor na alocação de recursos, modelos de operações que há décadas eram considerados eficazes estão sendo revistos. O foco já não está apenas em manter estoques abundantes de peças, mas em implementar um novo olhar através da análise estratégica de dados.
Estudos da consultoria Mirow & Co. indicam que até 20% dos volumes armazenados podem ser eliminados por meio de simplificações nos processos de gestão de estoques. Essa prática não só promete aumentar a eficiência operacional, mas também assegura que a produção e o mercado de reposição não sejam afetados negativamente.
Historicamente, as montadoras mantinham estoques excessivos para evitar desabastecimento, compromisso com a marca e atrasos na produção. Afinal, a filosofia era "não pode faltar", levando as empresas a uma lógica de superprodução de peças. Elmar Gans, sócio da Mirow & Co., explica que a mentalidade era de que um estoque robusto mitigava riscos, mesmo que essa abordagem tenha criado uma cultura de excessos.
Além do aspecto financeiro, a provisão robusta de peças também era uma forma de mitigar riscos jurídicos, já que a legislação exige que fabricantes garantam a disponibilidade de componentes mesmo após o fim da produção. Embora essa abordagem tenha mostrado resultados, a pressão dos juros altos está mudando a dinâmica: agora, os estoques são questionados de maneira crítica.
O que muitos não reconhecem é que um estoque excessivo não apenas impacta o capital de giro, mas também prejudica a mobilidade. Com a normalização do abastecimento pós-pandemia, surge a oportunidade de ajustar a cadeia de suprimentos, que é uma das áreas que mais consome recursos na indústria automotiva. Com métodos baseados em dados, é possível identificar excessos e estabelecer políticas de reposição mais eficientes.
Esse reposicionamento pode melhorar diretamente a experiência do motorista. Com estoques mais ajustados, as montadoras podem garantir que peças e veículos sejam entregues rapidamente, promovendo uma manutenção mais eficiente e reduzindo o tempo de espera em serviços.
O impacto do redesenho é especialmente relevante para peças importadas, que historicamente justificavam a necessidade de volumes maiores devido a longos prazos de entrega. As peças nacionais, que operam em sistemas como Just-in-Time, exigem menos estocagem, mas até pequenas melhorias na eficiência podem ter um grande impacto financeiro. Assim, o capital que antes estaria "parado" em estoques pode ser redirecionado para investimentos em novas tecnologias e inovações que beneficiem todo o setor.
A transição para uma frota eletrificada também levanta novas questões. As montadoras precisarão equilibrar a gestão de peças para veículos a combustão e elétricos, garantindo que as demandas futuras sejam atendidas sem sobrecarregar as operações atuais.
Nesse cenário, o ritmo de vendas também enfrenta desafios. A alta nos juros tem levado consumidores a adiar compras de veículos, resultando em pressões não apenas sobre os estoques de peças, mas também sobre os de veículos acabados. A análise de dados se torna essencial para alinhar a produção com a verdade do mercado, premunindo-se contra excessos que poderiam prejudicar a viabilidade econômica.
Em suma, o recalculo das práticas tradicionais de estoque das montadoras não apenas melhora a saúde financeira das empresas, mas também demonstra um compromisso com a mobilidade eficiente. Motoristas se beneficiam de serviços mais rápidos e confiáveis, contribuindo para um ecossistema automotivo mais ágil e responsivo às necessidades do consumidor.
Fonte: logweb






