A disputa de US$ 2,8 bilhões que pode transformar o mercado de terras raras.

Terras raras mineração minério de ferro (Imagem: Alfio Manciagli/istockphoto)


Terras raras mineração minério de ferro (Imagem: Alfio Manciagli/istockphoto)

O negócio de US$ 2,8 bilhões que marca a venda da brasileira Serra Verde para a USA Rare Earth pode ser um divisor de águas na chamada “corrida pelo ouro do século 21”: a disputa global pelas terras raras.

Analistas do BTG Pactual acreditam que essa transação é um marco importante na mineração estratégica do Ocidente e deverá desencadear uma “onda de aquisições” no Brasil.

A forte dependência da China, que lidera toda a cadeia de terras raras, desde a extração até o processamento e a fabricação, tem sido um fator crítico. Essa concentração de produção tem sido utilizada como ferramenta de influência geopolítica, impulsionando os Estados Unidos e seus aliados a acelerar a criação de cadeias alternativas, com suporte financeiro e incentivo à aquisição de ativos fora da China.

Em um ambiente onde a segurança das cadeias de suprimento é crucial, a pergunta que se levanta é: quem será o próximo alvo?

Brasil no foco

Atualmente, a Serra Verde é o único projeto operacional de terras raras no Brasil, com produção recém-iniciada e capacidade prevista de cerca de 6,5 mil toneladas de óxidos até 2027. Este projeto destaca-se por sua escala potencial e relevância estratégica, especialmente com a presença de terras raras pesadas, que são essenciais para a fabricação de ímãs utilizados em veículos elétricos, turbinas eólicas e aplicações de defesa.

Essa transação simboliza um progresso significativo na formação de uma cadeia integrada de terras raras no Ocidente, com um contrato de 15 anos já firmado para fornecer toda a produção inicial a um veículo apoiado pelo governo dos EUA. Esse movimento reforça a estratégia de Washington para se desvincular da dependência chinesa.

O interesse dos investidores é evidente, com uma clara preferência por projetos que envolvem terras raras pesadas, especialmente em um cenário em que se prevê um déficit de quase 30% até 2030.

“A primeira de muitas”

Segundo o BTG, este acordo pode ser o primeiro de uma série de transações. A Serra Verde, por ser o único ativo operacional no Brasil, apresenta uma vantagem competitiva, enquanto o pipeline de projetos no território indica que o Brasil está se posicionando como uma peça chave na cadeia ocidental de terras raras.

A expectativa é que a transação possa desencadear uma onda mais ampla de movimentações no setor.

M&A no setor

Na visão dos analistas, as empresas em fase final de desenvolvimento se tornarão os principais alvos de aquisição, e o Brasil se beneficia de seus depósitos de argila iônica, que são mais ricos em terras raras pesadas.

Projeto como Aclara, Viridis e Meteoric estão entre os potenciais alvos, ainda em desenvolvimento e sem suporte de grandes mineradoras. Portanto, recomenda-se diversificar a exposição no setor, ao invés de concentrar investimentos em apenas uma empresa.

Os benefícios dessa movimentação não se restringem ao campo econômico; ela pode impactar significativamente a mobilidade geral. A transição para tecnologias mais limpas, como os veículos elétricos, depende fortemente desses minerais, e, consequentemente, a criação de uma cadeia produtiva interna pode facilitar o acesso a veículos mais sustentáveis para os motoristas brasileiros.

O aumento da oferta de terras raras não apenas promove uma economia mais autônoma, mas também pode contribuir para a redução dos custos relacionados à mobilidade, beneficiando motoristas e usuários de transporte público à medida que a infraestrutura se expande.

*Fonte: Money Times

Equipe Redação

Equipe de redação é um grupo de profissionais que trabalham juntos para criar conteúdo escrito para Motorista.com.br
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