Falta de motoristas no TRC afeta 88% das empresas e bloqueia crescimento.

Falta de motoristas no TRC atinge 88% das empresas, eleva custos, trava crescimento e deixa frota ociosa
A falta de motoristas se consolidou como um dos principais gargalos do transporte rodoviário de cargas em 2025. Segundo pesquisa da NTC&Logística, 88% das empresas relataram dificuldades na contratação de motoristas, um cenário que já está provocando a ociosidade da frota. Entre as transportadoras que afirmaram ter veículos parados, a média é de oito caminhões por empresa.
Essa escassez de profissionais é considerada a segunda maior limitação ao crescimento do setor, mencionada por 28,1% dos entrevistados, logo atrás da piora do mercado interno (40,7%) e à frente das dificuldades de acesso ao capital (17%).
O impacto dessa falta de motoristas é significativo em um segmento altamente dependente de mão de obra. Os motoristas representam 19,5% dos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas, enquanto o combustível responde por 43,2% e os veículos por 29,1%. Juntos, esses três itens concentram 92% da estrutura de custos do setor.
Nos últimos 24 meses, o custo com mão de obra acumulou alta de 13,42%, acima da variação dos veículos (2,61%) e em linha com o combustível (2,69%). Em um período de 36 meses, o aumento chega a 20,2%. No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, a elevação foi de 7%.
Apesar da pressão, as empresas enfrentam dificuldades para repassar integralmente os aumentos ao frete. Em 2025, 55,6% das transportadoras reajustaram preços, com um aumento médio de 6%. Outras 23,7% mantiveram os valores, enquanto 20,8% aplicaram descontos médios de 5,7%. A defasagem média entre os custos calculados pela entidade e o frete efetivamente recebido é de 10,1%, e o prazo médio de recebimento é de 47,6 dias, com 7,3% das receitas sofrendo atrasos.
A NTC&Logística avalia que o TRC encerrou o ano de 2025 sob forte pressão regulatória e operacional. Embora o volume de cargas tenha apresentado melhora para cerca de 40% das empresas, a rentabilidade foi impactada por fatores críticos que exigem uma recomposição imediata dos fretes. Entre esses fatores estão os novos custos com seguros, a perda de produtividade devido ao aumento do custo social, e decisões judiciais que reduziram a disponibilidade da frota, elevando o custo fixo por viagem.
Esse cenário adverso impacta diretamente os investimentos no setor. Nos últimos 12 meses, 61,2% das empresas não adquiriram novos veículos, e para 2026, 61,5% afirmam que não têm intenção de renovar a frota. Entretanto, 92,6% planejam investir em treinamento e capacitação de pessoal, o que pode ser um passo importante para a recuperação do setor.
No transporte fracionado, que representa 72,6% da amostra da pesquisa, a média é de 141 veículos e 202 colaboradores por empresa. Para 2026, 57% das empresas projetam estabilidade no mercado, 29,6% esperam piora e apenas 13,3% aguardam melhora. O novo ano se inicia com uma pressão inflacionária crescente, uma nova fase da reoneração da folha de pagamento e a manutenção da Selic em patamar elevado, fatores que exigem atenção imediata do setor.
A falta de motoristas não só impacta os custos operacionais das empresas, mas também afeta a mobilidade geral, já que a ociosidade da frota pode levar à redução da oferta de serviços de transporte, comprometendo a eficiência logística e impactando a economia de diversas indústrias. Portanto, enfrentar esse desafio é crucial para garantir não apenas a saúde financeira das empresas de transporte, mas também a fluidez do sistema logístico como um todo.
Fonte: Logweb






