Importações aumentam e vendas de pneus nacionais caem 6,8% no 1º semestre.

As vendas de pneus fabricados no Brasil encerraram o primeiro semestre em queda, pressionadas pela crescente concorrência de produtos importados. De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), a comercialização de pneus de passeio, comerciais leves e de carga produzidos no país diminuiu 6,8% em comparação ao mesmo período do ano passado, totalizando 17,8 milhões de unidades. Em contrapartida, as importações na mesma categoria cresceram 81,2%.
Esse cenário sinaliza uma mudança significativa no mercado de reposição, setor mais afetado pela concorrência externa. As vendas de pneus nacionais nesse segmento caíram 10,1%, enquanto a oferta para montadoras manteve-se praticamente estável, com uma leve retração de apenas 0,3%. A participação da produção nacional no mercado de reposição encolheu para 29%, diante de 71% de produtos importados. Essa mudança é especialmente notável considerando que, em 2021, os fabricantes brasileiros representavam cerca de 64% desse mercado.
No segmento de pneus de carga, utilizados por caminhões e veículos comerciais pesados, a situação é ainda mais preocupante: as importações aumentaram 157,9% no primeiro semestre, alcançando 73% do mercado de reposição, em contraste com 27% da produção nacional.
A ANIP aponta que o crescimento das importações não é apenas uma questão de preço, mas também de assimetria regulatória. Parte dos pneus importados entra no Brasil a preços considerados artificialmente baixos, e muitos importadores não estariam cumprindo totalmente as normas ambientais de logística reversa, que visam a coleta e destinação de pneus inservíveis. Segundo dados do Ibama citados pela associação, os importadores têm um acúmulo superior a 500 mil toneladas de pneus não recolhidos nos últimos 14 anos.
Nesse cenário, a ANIP aguarda uma análise dos pleitos encaminhados ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para reequilibrar o mercado. A entidade menciona a eficácia de medidas adotadas por outros países, como o México, que elevou a tarifa de importação de pneus para 35%, e a União Europeia, que aplica tarifas de até 45,3% sobre produtos provenientes da China.
A urgência dessa situação se reflete na preocupação do presidente da ANIP, Rodrigo Navarro, que ressalta a vulnerabilidade brasileira diante do crescente protecionismo mundial, o que pode levar à desindustrialização e aumento da dependência de fornecedores externos. Esse panorama também impacta diretamente a agroindústria, dado que a produção de pneus depende da borracha natural nacional.
Em termos de mobilidade, a diminuição na produção de pneus nacionais pode levar a um cenário de maior dependência de produtos importados, afetando a qualidade e os preços disponíveis no mercado. Para os motoristas, isso pode resultar em uma maior variabilidade de preços e, potencialmente, na qualidade dos pneus.
A ANIP tem trabalhado em iniciativas para a coleta e destinação de pneus inservíveis desde 1999, e sua entidade dedicada, a Reciclanip, é considerada uma referência em logística reversa na América Latina e a terceira maior do mundo no setor de pneus. Essa atuação é crucial não apenas para a sustentabilidade ambiental, mas também para garantir que a cadeia produtiva nacional, fundamental para a mobilidade geral, se mantenha forte e competitiva.
Fonte: www.cartadelogistica.com.br






