Sem inglês, tornou-se caminhoneiro nos EUA aos 59 anos.

Sem falar inglês, ele virou caminhoneiro nos EUA aos 59 anos
Começar uma nova profissão perto dos 60 anos já seria um desafio. Fazer isso em outro país, sem dominar o idioma e tendo de realizar provas técnicas em inglês, tornou o caminho ainda mais difícil para o brasileiro Sormani.
Ele chegou aos Estados Unidos em 2023 acompanhado da esposa. Após dois meses, ela não se adaptou e retornou para Curitiba, enquanto Sormani decidiu permanecer no país para tentar realizar seu plano de trabalhar como caminhoneiro.
Antes de entrar na boleia, trabalhou durante nove meses como ajudante em obras, período em que juntou dinheiro para pagar documentos, exames e o processo da carteira comercial americana, conhecida como CDL.
Autorização de trabalho veio primeiro
Sormani entrou nos Estados Unidos como turista e depois apresentou um pedido de asilo, pois precisava da autorização de trabalho e do número do Social Security para iniciar o processo da CDL. O Social Security Number é concedido a estrangeiros com autorização de trabalho emitida pelo Departamento de Segurança Interna, e apenas ter entrado legalmente no país não garante permissão para trabalhar.
É importante ressaltar que o asilo é destinado a pessoas que sofreram perseguição ou têm temor fundamentado por motivos como raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opinião política, passando por avaliação das autoridades migratórias.
Regra da CDL mudou em 2026
O caminho trilhado por Sormani ocorreu antes de uma mudança significativa: desde 16 de março de 2026, uma autorização de trabalho ligada a um pedido de asilo não é mais suficiente para obter uma CDL não domiciliada. A nova regulamentação restringiu essa carteira para estrangeiros com determinados status de trabalho, alterando a forma como motoristas imigrantes conseguem se habilitar.
Portanto, a história de Sormani, embora inspiradora, não deve ser vista como um guia atualizado de imigração ou habilitação, já que a emissão da CDL segue regras específicas que dependem da situação migratória do candidato.
Provas começaram depois do exame médico
Após reunir toda a documentação necessária, Sormani realizou o exame médico exigido para motoristas comerciais e ingressou em uma autoescola americana. Motoristas que atuam no transporte interestadual precisam manter um certificado médico válido que assegura que possuem condições físicas para operar um veículo comercial.
Sormani enfrentou uma etapa teórica com 100 perguntas divididas em três partes. Ele optou por fazer a prova em espanhol, mas não passou na primeira tentativa. Com persistência, voltou no dia seguinte e conseguiu a aprovação.
É vital que novos motoristas em busca de uma CDL Classe A ou B cumpram o treinamento inicial conhecido como ELDT, realizado por instituições registradas no sistema federal.
Inspeção do caminhão precisava ser falada em inglês
A parte mais desafiadora foi a avaliação prática, onde Sormani precisou identificar as peças do caminhão, explicar seu funcionamento e apontar eventuais defeitos, tudo isso em inglês. Para driblar essa barreira, Sormani criou frases curtas e passou dias decorando os termos técnicos.
O processo de formação levou cerca de três meses, com a prova prática dividida em três partes: inspeção do veículo, controle em área fechada e condução na rua.
Primeira tentativa terminou em reprovação
Na primeira avaliação, Sormani não obteve sucesso na inspeção das peças. Novamente, ele se preparou e, na segunda tentativa, conseguiu passar na inspeção, na baliza e no teste de rua, optando por um caminhão com câmbio manual.
Dois meses após receber a CDL, ele encontrou trabalho em uma transportadora gerida por outro brasileiro, onde passou a conduzir caminhões transportando cargas como tubos metálicos para diversos estados.
Cabine virou casa durante as viagens
Sormani compartilha que a cabine do caminhão se tornou seu lar temporário durante as viagens, equipada com cama, micro-ondas e refrigerador. Mesmo longe de casa, ele mantém a tradição brasileira com um chimarrão.
Nos Estados Unidos, motoristas de carga devem seguir regras rigorosas de trabalho e descanso. O exemplo de Sormani evidencia que a idade não é um obstáculo para recomeçar. No entanto, sua determinação em superar a barreira do idioma e aprender os termos técnicos é um reflexo do que muitos motoristas enfrentam.
Isso nos leva a refletir sobre como histórias como a de Sormani são vitais para a mobilidade geral. Motoristas são essenciais para a economia, e sua adaptação e inclusão em novos ambientes não só impactam suas vidas, mas também a eficiência de todo o sistema de transporte. A superação da barreira do idioma e a busca por novas oportunidades enriquecem o setor, possibilitando uma maior diversidade e força de trabalho qualificada nas estradas.
Fonte: brasildotrecho






