Setor de cargas enfrenta desafios no segundo semestre, afirma Fetcesp.

O transporte rodoviário de cargas encerra o primeiro semestre de 2026 sob pressão de mudanças regulatórias, aumento de custos e desafios trabalhistas, segundo avaliação da Fetcesp. Responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil, de acordo com a CNT, o setor teve de se adaptar às novas regras do Código Identificador da Ciot (Operação de Transporte), às alterações no MDF-e (Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais) e ao avanço da fiscalização eletrônica.

No campo dos custos, o diesel continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as empresas. O combustível acumulou alta de 19% em março e representa entre 35% e 50% do custo operacional das transportadoras, podendo superar 70% em algumas operações. Levantamento da NTC&Logística apontou uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início de 2026, reduzindo as margens das empresas.

Para o segundo semestre, a Fetcesp vê uma preocupação crescente com as discussões sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho. Um estudo da CNT, divulgado pela federação, estima que a redução da carga horária de 44 para 40 horas semanais elevaria em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando um impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.

Além disso, seriam necessários cerca de 240 mil novos trabalhadores para manter os níveis atuais de operação e atendimento. Esse cenário é considerado especialmente desafiador para o transporte rodoviário de cargas, que já enfrenta um déficit superior a 100 mil motoristas profissionais, somando-se às dificuldades de contratação em outras funções operacionais.

Esses fatores influenciam não apenas as empresas, mas também os motoristas e a mobilidade geral. A pressão nos custos pode resultar em tarifas mais elevadas para o transporte de cargas, impactando o preço final dos produtos. Além disso, desafios na contratação e na jornada de trabalho podem afetar a eficiência do transporte, gerando atrasos e criados gargalos logísticos, que por sua vez influenciam o fluxo de mercadorias e a dinâmica do mercado.

Por fim, as empresas também acompanham os efeitos do calendário eleitoral e os preparativos para a implementação gradual da reforma tributária. Esses fatores exigirão um elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das transportadoras ao longo da segunda metade de 2026, o que pode ter um reflexo significativo na mobilidade das cargas e, consequentemente, na eficiência do transporte rodoviário.

Fonte: setcesp

Equipe Redação

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