Evento ‘Reforma Tributária no TRC’ ressalta a revisão de contratos

Especialistas abordam adequações tecnológicas, planejamento e gestão para enfrentar o novo cenário

A Reforma Tributária foi tema de um evento promovido pelo SETCESP, que reuniu especialistas e empresários do Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) para discutir as mudanças previstas e compartilhar estratégias de preparação para o próximo ano.

Um dos principais destaques foi a necessidade de revisar e renegociar contratos com embarcadores. “A reforma é um desafio e tudo vai se refletir em nossa planilha de custos. Por isso, precisamos estar bem informados,” comentou Marcelo Rodrigues, presidente dos Conselhos Superior e de Administração do SETCESP.

Durante o evento, Adauto Bentivegna Filho, assessor jurídico do SETCESP, elucidou a nova sistemática de recolhimento de tributos, que terá como base o local de consumo, o que pode ajudar a acabar com a guerra fiscal entre os estados. Essa mudança tem o potencial de trazer maior previsibilidade para os motoristas e transportadoras, impactando diretamente na sustentabilidade financeira do setor.

Alessandra Brandão, consultora da Confederação Nacional do Transporte (CNT), ressaltou que o cronograma de implementação da reforma deve prosseguir, independentemente das eleições. “Seria inviável a Receita Federal não cumprir o que já foi modificado até aqui,” afirmou, destacando a importância de um planejamento contínuo para os empresários que atuam no setor.

O painel sobre créditos tributários, split payment e fluxo de caixa, que contou com a participação de Bitencourt Leon Júnior e Alex Breier, enfatizou que a adaptação das empresas ao novo sistema deve se basear em três pilares: tecnologia, conhecimento e gestão. A possibilidade de gerar créditos tributários ao adquirir itens como pneus e combustíveis pode trazer alívios financeiros, permitindo uma gestão mais eficiente dos custos operacionais.

O impacto da reforma sobre o planejamento tributário foi debatido por Talita Félix, que indicou que a mudança na tributação sobre o consumo pode influenciar onde as empresas se instalam. “Indústrias que se preocuparam em pagar menos ICMS agora vão priorizar áreas com melhor infraestrutura,” salientou, o que pode afetar a logística e, consequentemente, a mobilidade no transporte rodoviário.

Lilian Sartori, sócia da Lopes & Castelo Sociedade de Advogados, complementou que a proposta de simplificação do sistema tributário ainda gera inúmeras dúvidas e confusões, um ponto crucial para as transportadoras em termos de previsibilidade operacional e gestão financeira.

Preparações em curso, mas necessidades urgentes

O último painel tratou das experiências práticas das empresas na preparação para a reforma. Marco Antonio Patrus, sócio-diretor da Patrus Transportes, informou que a empresa contratou uma assessoria externa para conduzir as adaptações. “Imaginamos que 2027, que deveria ser um ano definitivo, ainda será um ano de testes,” observou Patrus, destacando a incerteza que permeia o setor.

Thiago Menegon, vice-presidente do SETCESP, expressou preocupações semelhantes sobre um planejamento incerto. Luiz Rustiguel, diretor da Transcordeiro, reforçou a relevância de revisar contratos com base em dados confiáveis, apontando que a falta de definições sobre os créditos tributários complica as negociações.

As discussões enfatizaram que a preparação para a Reforma Tributária extrapola meras adequações fiscais; ela requer uma integração robusta entre tecnologia, gestão e planejamento financeiro, além de uma revisão minuciosa dos contratos com embarcadores. Essa abordagem não apenas assegura a sustentabilidade das transportadoras, mas também contribui para a eficiência e a fluidez na mobilidade do transporte rodoviário.

Para mais informações sobre a reforma tributária, confira o evento em detalhes.

Fonte: SETCESP

Equipe Redação

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