Vitória, Paranaguá e Salvador abrigam 75% dos carros importados.

Vitória, Paranaguá e Salvador concentram 75% dos carros importados – Transporte Moderno
O crescimento das importações de automóveis chineses e eletrificados está alterando significativamente a distribuição de cargas nos portos brasileiros. Entre janeiro e setembro de 2026, Vitória (ES), Paranaguá (PR) e Salvador (BA) concentraram 74,7% dos veículos importados, uma quantidade notável se comparada ao percentual de 22,4% em 2022. Nesse mesmo período, a participação de Santos (SP) e Rio de Janeiro (RJ) caiu de 52,4% para 11,3%.
De acordo com um estudo realizado com base em registros de comércio exterior, o Brasil importou 528,3 mil automóveis de passageiros nos primeiros nove meses deste ano, refletindo um crescimento de 103,8% em relação ao período anterior. O valor total das operações atingiu US$ 8,57 bilhões, com um aumento de 83,3%.
Vitória liderou as importações, com 226,1 mil veículos e uma participação de 42,8%. Paranaguá ficou em segundo, importando 88,3 mil unidades, um crescimento impressionante de 608,8%. Salvador, em terceiro lugar, registrou a importação de 80,3 mil automóveis, um aumento de 797%.
Essa mudança no cenário de importação está ligada ao aumento das operações com veículos da China, que passou de 9,9% em 2022 para 80,3% em 2026, totalizando 424,2 mil unidades. A participação da Argentina, que era de 65,9% no ano anterior, caiu para 6,8%.
O avanço dos veículos eletrificados, tanto híbridos como totalmente elétricos, também tem influenciado essa dinâmica. Esses modelos representaram 80,4% das unidades importadas entre janeiro e setembro de 2026, uma alta significativa em relação aos 17,4% registrados em 2022.
Helmuth Hofstatter, CEO da Logcomex, destaca a necessidade de revisar as estratégias de transporte, armazenamento e distribuição. "A mudança na origem de um produto também altera a lógica da operação de comércio exterior. As empresas precisam avaliar rotas marítimas, pontos de desembarque e estruturas de distribuição para melhor atender ao mercado brasileiro", afirma.
Os principais pontos de entrada concentraram 89,8% do crescimento das importações entre 2025 e 2026. Essa concentração dos fluxos evidencia a importância de um planejamento logístico eficaz e da capacidade das estruturas portuárias em atender à crescente demanda.
Com a alteração no cenário das importações, motoristas e a mobilidade geral podem perceber impactos diretos, como a possível redução de preços devido ao aumento da oferta de veículos e, por consequência, maior competitividade no setor. No entanto, é essencial que as cidades se preparem para essa nova realidade, garantindo infraestrutura adequada para receber um número crescente de veículos, especialmente elétricos, que demandam pontos de recarga e regulamentação específica.
Fonte: transportemoderno






