Etanol nacional conquista mercado de combustíveis marítimos

O etanol brasileiro está se tornando uma opção viável no abastecimento de navios, especialmente no Porto de Santos, onde o porta-contêineres CMA CGM Iron já iniciou esse processo. Essa experiência, que começou em julho, representa um avanço significativo, conectando a produção nacional de etanol ao mercado de combustíveis marítimos.

A colaboração entre a CMA CGM, Copersucar, Bunker One, AGEO Terminais, Santos Brasil e a Autoridade Portuária de Santos (APS) indica não apenas um passo em direção à diversificação das fontes de energia para a navegação, mas também um potencial impacto positivo na mobilidade geral e no setor de transportes. Uma operação regular de etanol pode diminuir a dependência de combustíveis fósseis, contribuindo para um ambiente mais sustentável e alinhado com as metas de descarbonização do setor.

A transição do abastecimento pontual para um modelo recorrente abre novas oportunidades de mercado para o etanol, além do transporte rodoviário. Este movimento poderá facilitar uma redução significativa das emissões de gases poluentes, que são uma preocupação crescente tanto para as cidades portuárias quanto para as rotas marítimas mundiais. A expansão dessa prática depende da disponibilidade de embarcações adaptadas e da infraestrutura necessária para armazenar e transferir o etanol, o que pode requerer investimentos significativos, mas que têm o potencial de reconfigurar a matriz energética do transporte marítimo.

Segundo Giovani Grassi, CEO da CMA CGM do Brasil, essa nova fase busca a incorporação segura do etanol nas operações marítimas. Isso não apenas fortalece a sustentabilidade do setor, mas também cria uma cadeia conectada desde as usinas até os portos, promovendo a eficiência logística e incentivando a produção nacional.

Cadeia conecta usinas ao porto

A Copersucar, em parceria com a Evolua Etanol e AGEO Terminais, possibilita que o etanol produzido em usinas nacionais chegue ao Porto de Santos. O manejo cuidadoso do etanol, que possui baixo ponto de fulgor, é garantido pela Bunker One, que implementou protocolos de segurança em sua operação. Esse nível de cuidado mostra a seriedade com que os operadores tratam essa nova forma de combustível, que pode ser crucial para a atração de navios e armadores internacionais.

Motor habilitado para etanol

O CMA CGM Iron é equipado com um motor que lhe permite operar com bioetanol, abrindo caminho para uma revolução no transporte marítimo. A expectativa é que onze embarcações adicionais sigam o mesmo padrão, sinalizando uma tendência crescente no uso de combustíveis mais limpos na indústria naval.

Mercado potencial

Com estimativas de que a substituição de 10% do consumo global de combustíveis marítimos poderia demandar cerca de 50 bilhões de litros de etanol anualmente, é evidente que há um mercado potencial significativo. Entretanto, o sucesso dessa iniciativa dependerá da aceitabilidade do etanol pelos armadores, da adaptação da frota e dos arranjos comerciais. Apesar disso, a estrutura organizada atualmente em Santos posiciona o Brasil como um player relevante em um futuro mais sustentável para o transporte marítimo.

Com essa iniciativa, o setor de transporte brasileiro aproxima-se de um modelo mais sustentável, que poderá beneficiar não apenas os motoristas, ao promover uma imagem de inovação e responsabilidade ambiental, mas também contribuir de maneira significativa para a mobilidade geral, reduzindo as emissões na cadeia de transporte.

Fonte: transportemoderno

Equipe Redação

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