A imagem da grandeza dividida de um setor – SETCESP

O Retrato da Grandeza Fragmentada de um Setor – SETCESP
O transporte rodoviário de cargas é uma espinha dorsal da economia brasileira. Com mais de 80 milhões de viagens e cerca de 1,4 bilhão de toneladas transportadas anualmente, esse setor desempenha um papel crucial na interligação de regiões produtoras, indústrias e consumidores. Esses dados, extraídos do Anuário TRC 2025, trazem à luz a complexidade e os desafios que envolvem a logística no Brasil.
A Importância do Transporte Rodoviário
Embora frequentemente criticado por suas limitações em termos de infraestrutura e altos custos operacionais, o transporte rodoviário permanece a principal solução logística nacional. Luis Henrique Teixeira Baldez, da ANUT, enfatiza que a centralidade do rodoviário é uma resposta à falta de uma rede ferroviária ou hidroviária adequada, o que define a mobilidade de cargas no país.
Marcelo Rodrigues, do SETCESP, corrobora essa visão, ressaltando que o transporte rodoviário continuará a ser fundamental nos próximos anos. Ele observa que, mesmo com investimentos em outros modais, os resultados só deverão ser percebidos a longo prazo. Para o motorista, isso significa que o caminhão permanecerá como a principal opção de transporte por um período considerável.
O Mercado e os Motoristas
O expressivo número de transportadores cadastrados — mais de um milhão, sendo 73% autônomos — revela a pluralidade do setor. No entanto, a composição da frota é preocupante: enquanto os autônomos representam quase três quartos dos operadores, detêm apenas 32,56% dos veículos registrados. Isso indica um mercado predominantemente formado por pequenas operações, que têm dificuldades em renovar suas frotas devido a custos elevados e baixa rentabilidade.
A baixa idade média dos veículos, que é de 16 anos, e a escassez de motoristas refletem desafios diretos para a mobilidade. A falta de mão de obra qualificada, aliada à necessidade crescente de novas habilidades devido à tecnologia avançada nos caminhões, limita ainda mais a eficiência do setor. Isso impacta diretamente a capacidade de entrega e, consequentemente, a economia como um todo.
Custos e Desafios Operacionais
Os elevados custos operacionais — com combustíveis representando até 30% das despesas — e as dificuldades na renovação da frota geram um cenário difícil para os motoristas. Além disso, a escassez de mão de obra tem levado as transportadoras a gastar mais para reter seus talentos, o que, por sua vez, pode aumentar o custo do transporte.
A quantidade de motoristas admitidos, que foi de 534.972 em 2025, é positiva, mas não leva em consideração os desligamentos. Isso sugere que, mesmo com a demanda, a qualidade de vida e as condições de trabalho dos motoristas ainda precisam de melhorias significativas.
Expectativas Futuras
Com a incessante evolução das normativas e o aumento da pressão por eficiência, os transportadores precisam desenvolver flexibilidade e soluções adaptativas para suas operações. A adoção de tecnologias digitais e estratégicas pode permitir que as transportadoras não apenas otimizem custos, mas também aprimorem a relação com os embarcadores.
As projeções futuras são incertas, mas as oportunidades existem, especialmente para empresas que se adaptam e investem em tecnologia e em sua infraestrutura. Com o tempo, espera-se que o setor que, se enfrenta desafios, também seja o motor para um mercado logístico mais eficiente e moderno.
O transporte rodoviário de cargas é mais do que uma simples movimentação de mercadorias; é um elemento vital da economia nacional que precisa de atenção especial para atender às necessidades atuais e futuras de mobilidade no Brasil.
Fonte: SETCESP






