O que evitar ao enfrentar o aumento do preço do petróleo

O que não fazer quando sobe o preço do petróleo – SETCESP
As medidas adotadas no Brasil em resposta ao aumento do preço do petróleo têm se mostrado ineficazes ao mirarem no alvo errado. Em vez de considerar que o problema não está apenas no custo elevado do barril, mas na possibilidade de desabastecimento, o governo tem tomado decisões que, em vez de mitigar a crise, a agravam.
Estamos diante de uma crise sem precedentes no abastecimento de petróleo. Governos pelo mundo todo têm se mobilizado para enfrentar essa emergência, e o Brasil também está tentando agir. Entretanto, as abordagens escolhidas incentivam o consumo de petróleo e seus derivados em um momento em que a escassez já é uma realidade.
Para lidar eficazmente com a crise, é necessário liberar estoques, incentivar a produção de petróleo e diversificar as fontes de importação. A história nos mostra que, quando se busca resolver problemas de abastecimento, a redução do consumo e a adoção de alternativas energéticas são essenciais. Um exemplo notável desse tipo de iniciativa foi o Proálcool, implementado na década de 1970, que resultou no desenvolvimento sustentável do etanol como combustível automotivo e promoveu a independência energética do Brasil.
Diversos países pelo mundo estão adotando medidas emergenciais para enfrentar a crise de oferta. Na sequência do início da guerra que impactou o fornecimento de petróleo, por exemplo, os membros da Agência Internacional de Energia liberaram 400 milhões de barris de estoques emergenciais. A implementação de políticas como a recomendação para trabalho remoto e restrições de viagem tem se mostrado eficaz em reduzir a demanda. Em várias nações, práticas como a implementação de uma semana de quatro dias para servidores públicos e redução de limites de velocidade em estradas são exemplos claros de como a economia de combustível pode ser priorizada em tempos de escassez.
Em meio a tudo isso, é importante destacar que o aumento no preço do petróleo também serve como um sinal de alerta. Altos preços estimulam a liberação de estoques e incentivam investimentos em alternativas ao petróleo, enquanto comunicam ao consumidor a necessidade de repensar o uso desse recurso.
No Brasil, ainda assim, as medidas estão direcionadas a combater os efeitos do preço elevado em vez de lidar com as causas do problema. Em resposta à crise, o governo anunciou subsídios ao óleo diesel e isenções fiscais, que apenas agravam a escassez ao estimular ainda mais o consumo. Esse tipo de abordagem não só intensifica o problema, como também tem consequências fiscais significativas, criando um ciclo vicioso.
Um contraste notável é a ideia de duplicar o programa Move Brasil, que amplia a oferta de ônibus e caminhões por meio de empréstimos subsidiados. Embora essa medida aparente aumentar a eficiência do transporte, na prática, ela pode fomentar ainda mais a dependência do diesel a longo prazo, dificultando a transição para alternativas menos poluentes.
Diante de uma crise de abastecimento, a melhor saída seria promover um ambiente que favoreça a diversificação energética e o uso responsável dos recursos disponíveis. Assim, a redução do consumo e a promoção de alternativas energéticas se tornam fundamentais não apenas para enfrentar a crise imediata, mas também para garantir uma mobilidade mais sustentável no futuro, beneficiando tanto motoristas quanto a sociedade como um todo.
É imprescindível que o governo adote uma postura proativa que considere as complexidades do mercado e promova um ajuste saudável para todos os envolvidos. O papel dos motoristas e da mobilidade geral deve ser priorizado, garantindo que as soluções adotadas estejam em sintonia com as necessidades atuais e as exigências futuras da sociedade.
Fonte: SETCESP






