Ônibus chegam a R$ 4,8 milhões, enquanto salários dos motoristas não aumentam.

Ônibus já custam até R$ 4,8 milhões, mas salário dos motoristas ficou para trás

Um ônibus novo pode custar mais do que muitas residências ou pequenas empresas. Em São Paulo, os valores usados pela prefeitura indicam que um ônibus elétrico articulado pode chegar a R$ 4,8 milhões. À medida que a tecnologia embarcada se torna mais cara, também surge a dificuldade de encontrar motoristas dispostos a assumir funções tão desafiadoras.

A tabela oficial da Prefeitura de São Paulo, atualizada recentemente, coloca um ônibus elétrico básico em torno de R$ 2,48 milhões. Modelos Padron superam R$ 2,8 milhões, enquanto o articulado de 23 metros alcança os R$ 4,8 milhões. Mesmo os modelos a diesel apresentam preços elevados, dependendo do tamanho e configuração.

Por outro lado, o salário dos motoristas apresenta um contraste significativo. Os valores variam bastante entre cidades, empresas e tipos de operação. Informações de acordos coletivos mostram que os pisos salariais giram em torno de R$ 3,3 mil a R$ 3,7 mil para diferentes serviços de ônibus. Embora existam mercados em que os salários sejam superiores, ainda assim a dificuldade em preencher essas vagas persiste.

O peso dessa disparidade fica evidente quando consideramos as responsabilidades envolvidas na função. O trabalhador passa horas no trânsito, transporta dezenas de passageiros, precisa cumprir horários rigorosos, muitas vezes trabalha em finais de semana e feriados e encara desafios como o tráfego intenso e reclamações dos usuários.

Esse cenário se reflete em dados recentes do transporte rodoviário. O setor interestadual opera com pouco mais de 60 mil motoristas, mas a demanda real é de quase 86 mil, resultando em um déficit de aproximadamente 30%. Esse gap revela uma crise que, se não for abordada, pode comprometer a qualidade do transporte público.

Para aqueles que aspiram a se tornar motoristas, existem barreiras a serem superadas antes mesmo da contratação. É necessário obter a categoria apropriada da CNH, cumprir as exigências para o transporte de passageiros e, em muitas vagas, ter experiência prévia.

Desse modo, as empresas podem adquirir ônibus de milhões de reais, equipados com ar-condicionado, câmeras e tecnologia avançada, mas enfrentam dificuldades em formar e manter uma equipe de motoristas qualificados em um ritmo compatível.

Recentemente, empresas e entidades do setor têm discutido programas de formação e contratação para amenizar a escassez de condutores. Algumas estão preparando candidatos que já possuem CNH D ou E, mas que se deparam com a dificuldade de conseguir a primeira experiência profissional.

Essa realidade sugere que, para garantir uma mobilidade eficiente e de qualidade, é crucial não apenas investir em veículos modernos, mas também em políticas que valorizem e capacitem os motoristas. O equilíbrio entre a alta tecnologia dos ônibus e a atração de profissionais qualificados é vital para o futuro do transporte coletivo.

Fonte: brasildotrecho

Equipe Redação

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