Reforma tributária pode aumentar carga do transporte agro em 414%

A seis meses do início da fase de transição da Reforma Tributária, prevista para janeiro de 2027, as transportadoras do agronegócio se preparam para os impactos das novas regras. Um estudo da consultoria Rumo Brasil projeta um aumento médio de 414,44% na carga tributária dessas empresas devido à implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que substituirá PIS e Cofins.

Atualmente, a cadeia logística do agro enfrenta um período delicado. Em uma entrevista com a Agência Transporte Moderno, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Lucas Costa Beber, destacou que a aquisição de caminhões tornou-se secundária para muitos produtores, uma vez que os juros elevados e o aumento do custo do crédito reduziram sua capacidade de investimento e forçaram o adiamento da renovação da frota. “O que seria lucro do produtor hoje está sendo consumido pelo pagamento de juros”, afirmou Beber, refletindo a realidade de um setor que já opera com margens de lucro apertadas.

A perspectiva de aumento da carga tributária é uma nova variável no planejamento financeiro da cadeia logística do agronegócio, potencialmente agravando a situação econômica dos transportadores e, consequentemente, dos produtores rurais. O desafio se amplia, visto que o aumento nos custos de transporte pode impactar o preço final dos produtos, afetando não apenas os empresários, mas também os consumidores.

Impacto superior a R$ 144 milhões

O estudo da Rumo Brasil, baseado em dados de empresas associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), projeta um impacto financeiro superior a R$ 144 milhões apenas com os efeitos da CBS. A consultoria destaca que essa discussão até então era marcada por interpretações e pouco embasamento em dados concretos, buscando trazer clareza sobre as implicações da nova legislação.

Subcontratação explica maior parte do aumento

A subcontratação é um elemento estrutural do transporte rodoviário de cargas no agronegócio e é o principal fator para o aumento da carga tributária. Com essa nova legislação, o aproveitamento de créditos fiscais será alterado, criando um impacto considerável nas empresas, que já lidam com margens de lucro reduzidas e uma forte pressão por eficiência. Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil, ressalta que a mudança na dinâmica de aproveitamento desses créditos terá um efeito significativo.

Mudança vai além dos impostos

O novo modelo tributário também exigirá que as empresas revisem seus processos internos, aumentando a complexidade da gestão fiscal. Documentação e operações precisarão ser geridas com rigor, pois cada aspecto impactará na apuração de tributos. As empresas que começarem a se adaptar antes da implementação terão mais chances de minimizar riscos e manter sua competitividade no mercado.

Reflexos em toda a cadeia

Como o transporte rodoviário responde pela maior parte do escoamento da produção agrícola brasileira, o aumento dos custos repercutirá em toda a cadeia logística. Embarcadores, indústrias e distribuidores poderão absorver parte desse aumento, que, eventualmente, atingirá o consumidor final. Esta situação, combinada com um ambiente de crédito caro e um ritmo de investimentos mais lento no campo, representa um desafio adicional para um setor vital para a economia nacional.

Embora a regulamentação da Reforma Tributária ainda esteja em andamento, as empresas já estão calculando como as novas estruturas tributárias afetarão sua competitividade e capacidade de investimento nos próximos anos. Em suma, para o motorista e o setor de transporte, é crucial acompanhar essas mudanças, que impactam diretamente não só nos custos operacionais, mas também na sustentabilidade da mobilidade e na oferta de produtos ao consumidor.

Fonte: transporte moderno

Equipe Redação

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