Baixo investimento em infraestrutura de portos e aeroportos

Como é gerir uma transportadora em um setor tão complexo e regulado?
Gerir uma transportadora é um desafio constante, especialmente em um ambiente regulatório cada vez mais complexo. Neste ano, o equilíbrio entre atender às necessidades dos embarcadores e se adequar às legislações tem sido cada vez mais difícil. Muitas vezes, nos encontramos na posição de explicar aos clientes que as legislações não são opcionais e que é fundamental haver conformidade. Essa resistência à mudança é um obstáculo frequente.
O setor de transporte é dinâmico e exige resiliência para atender às diversas exigências e continuar operando de maneira eficiente. As constantes mudanças nas diretrizes e a necessidade de adaptação tornam o trabalho ainda mais desafiante.
Recentes mudanças na política tarifária dos Estados Unidos têm gerado incertezas no comércio internacional. De que forma esse cenário afeta o transporte aduaneiro?
As alterações nas tarifas afetam diretamente o ecossistema do importador e exportador, desencadeando uma diminuição nos processos logísticos. Quando a taxação eleva os custos, muitos produtos se tornam inviáveis comercialmente, resultando em uma queda imediata nas operações. Logo, essa instabilidade tributária impacta a mobilidade e a eficiência do transporte, pois leva a uma retração momentânea, seguida de um processo de adaptação do mercado. Mesmo com as dificuldades, os profissionais do setor sempre encontram alternativas, como novas negociações com outros países ou a diversificação de produtos.
Após conhecer de perto os modelos logísticos do Leste Asiático na viagem técnica do SETCESP, quais investimentos deveriam ser prioridade para o Brasil ganhar competitividade?
A experiência nos países do Leste Asiático demonstrou que uma infraestrutura bem planejada é fundamental para o sucesso logístico. A agilidade na execução de projetos, independentemente das trocas de governo, se mostra essencial. Enquanto isso, no Brasil, muitos projetos ficam parados devido a descontinuidades políticas, o que prejudica a competitividade.
Além disso, a integração de tecnologias avançadas, como a automação robótica, poderá otimizar ainda mais os processos logísticos no Brasil, promovendo eficiência e agilidade na operação.
Você foi a primeira mulher a assumir a diretoria de aduaneiro. Como foi encarar esse desafio?
Assumir essa função foi uma honra e uma oportunidade única para contribuir com a visão coletiva do setor. O desafio me permite não só olhar para a minha empresa, mas também para as necessidades do setor como um todo. A representação feminina nesse espaço é fundamental para promover diversidade e incentivar mais mulheres a seguirem carreiras no transporte.
No ano passado, pela primeira vez, o saldo de profissionais mulheres no TRC superou o de homens. Como têm sido as mudanças na participação feminina no transporte ao longo dos anos?
Observamos um crescimento exponencial na participação feminina no setor de transporte. Esse avanço, que antes era gradual, agora mostra que mais mulheres estão se inserindo em áreas antes dominadas por homens. Na nossa empresa, temos incentivado a contratação de mulheres, especialmente em funções operacionais, promovendo a equidade em um campo historicamente desbalanceado.
Qual mensagem final poderia deixar para nossos leitores?
A participação ativa em organizações como o SETCESP é vital para qualquer empresário do setor de transporte. Convido todos a engajarem-se em eventos e a se manterem atualizados sobre as legislações que impactam nosso trabalho. Além de fortalecer as empresas, essas iniciativas são fundamentais para a mobilidade e eficiência do transporte no Brasil.
Fonte: setcesp






