De medição a ação: carbono só conta se gerar decisões.

Da mensuração à ação: dado de carbono só vale se virar decisão

Compreender o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa em operações de transporte é crucial, mas a obtenção dessas informações nem sempre é simples. O IV ESG Abralog Summit trouxe à tona uma solução inovadora apresentada por Felipe Romera, CEO da Simple Carbon, e Flávio Amaral, diretor corporativo da Imediato Nexway, visando integrar esses dados nas decisões relacionadas a custo, eficiência e descarbonização do frete.

Um dos principais desafios identificados é a fragmentação das informações. No transporte terceirizado, os dados de consumo ficam nas mãos das transportadoras, enquanto os embarcadores precisam entender as emissões dos serviços que contratam. Essa divergência, aliada a formatos distintos de reportação e cálculos manuais, complica a comparação entre fornecedores e a identificação de melhorias. Assim, as informações sobre carbono frequentemente se restringem a relatórios de sustentabilidade, com pouco impacto na gestão diária.

A tecnologia da Simple Carbon tem como objetivo organizar a mensuração, relato e verificação das emissões, conhecido pelo processo MRV. Utilizando dados operacionais e fiscais já existentes, a plataforma pode calcular o consumo real de combustível, complementando com fatores de referência quando as informações não estão disponíveis. Os cálculos são fundamentados nas diretrizes do GHG Protocol, assegurando uma metodologia reconhecida pelo Programa de Logística Verde Brasil (PLVB).

Comparando emissões e custos para decisões informadas

A plataforma realiza cálculos por viagem, considerando tanto o transporte dedicado quanto o fracionado, e distribui as emissões de acordo com o peso da carga. Ao apresentar a intensidade das emissões e o custo por tonelada-quilômetro, é possível avaliar desempenho de rotas, veículos e transportadoras de forma justa e alinhada.

A apresentação de casos exemplares ilustrou como essa análise pode ajudar a identificar oportunidades, como a baixa ocupação dos veículos, a combinação de viagens e a escolha de fornecedores mais eficientes. Embora os dados utilizados nos exemplos fossem meramente ilustrativos, demonstraram o potencial da ferramenta para otimização das operações.

A estrutura proposta também clarifica a responsabilidade no uso das informações: a transportadora mantém a propriedade dos dados e decide sobre seu compartilhamento, enquanto a Simple Carbon realiza os cálculos com transparência, permitindo que o embarcador receba emisões consolidadas de seus serviços contratados.

Prova de conceito com o Mercado Livre

Uma das iniciativas envolve uma prova de conceito com o Mercado Livre e outras transportadoras. Este trabalho, que se estenderá por três meses, busca validar um modelo de mensuração que possa ser escalado para toda a cadeia de fornecedores do embarcador. Durante a apresentação, foi compartilhado que a linha de base, um levantamento inicial para referência futura, já estava concluída.

Ao discutir a importância do uso de dados, Flávio Amaral relacionou-o à eficiência, competitividade e continuidade do negócio. A proposta consiste em integrar suprimentos, operações, sustentabilidade e finanças, utilizando as mesmas informações para estabelecer metas e monitorar melhorias. A mensagem central foi clara: “O que se mede, se gere. ESG é a disciplina de transformar dado em decisão.”

Essa abordagem não só beneficia as empresas na sua jornada rumo à sustentabilidade, mas também impacta positivamente a mobilidade em geral. Ao otimizar o consumo de recursos e reduzir emissões, criam-se operações de transporte mais eficientes e responsáveis, contribuindo para um futuro mais sustentável para todos.

Fonte: Abralog

Equipe Redação

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