Nova estratégia para descarbonização do transporte no Brasil

Projetos que integram infraestrutura, energia e diferentes modais ganham espaço como alternativa para reduzir emissões e acelerar a transição energética do setor

A transição energética do transporte brasileiro está em um momento crucial. As empresas enfrentam a pressão para investir em veículos e tecnologias menos poluentes, enquanto fornecedores de energia e operadores de infraestrutura aguardam uma demanda consistente para justificar novos investimentos. Esse impasse revela a necessidade de uma abordagem integrada que favoreça a colaboração entre os diversos atores envolvidos.

Uma estratégia promissora é a criação de corredores verdes, rotas planejadas que possibilitam a circulação de veículos menos poluentes, garantindo acesso à infraestrutura de abastecimento e recarga. Esses corredores não apenas diminuem as emissões, mas também promovem um ambiente propício para que transportadoras e fornecedores de energia se unam, impulsionando a descarbonização do setor.

De acordo com Vinicius Ladeira, diretor adjunto do SEST SENAT, iniciativas como essa criam condições que facilitam essa colaboração. Ele enfatiza que o sucesso vai além da instalação de pontos de recarga nas rodovias; é necessária a atuação conjunta de empresas e do poder público. Transportadoras investem em novos veículos, enquanto fornecedores de energia precisam expandir a infraestrutura necessária. O papel do governo inclui o planejamento das rotas e a criação de incentivos que atraiam investimentos.

O Boletim de Logística sobre Corredores Verdes do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL) ressalta que esses projetos são essenciais para reduzir emissões e aumentar a capacidade de adaptação às mudanças climáticas. Contudo, o Brasil, com suas dimensões continentais, enfrenta o desafio de colocar essas iniciativas em prática.

Tirar do papel

Para implementar um corredor verde, é fundamental identificar rotas com alta frequência de caminhões e demanda suficiente. O planejamento deve considerar distâncias, tipos de carga e a conexão com outros meios de transporte, como ferrovias e portos. Um exemplo prático é o corredor verde inaugurado pela TransJordano em São Paulo, que conecta cidades estratégicas e prevê pontos de abastecimento de biometano. Esse tipo de infraestrutura confere segurança às transportadoras, incentivando-as a investir em veículos menos poluentes e garantindo a demanda para os fornecedores de energia.

O desafio de conectar inovação e demanda é crítico. A eletrificação do transporte de cargas, como demonstrado pelo projeto Laneshift e-Dutra, busca expandir a utilização de caminhões elétricos. A integração de infraestrutura de recarga e a vontade das empresas em adotar essas tecnologias são fundamentais para o crescimento dos corredores verdes.

A diversidade das necessidades operacionais também deve ser considerada. As demandas distintas de um ônibus urbano comparadas a um caminhão de longa distância requerem soluções personalizadas, e os corredores verdes devem ser projetados com esses fatores em mente. A intermodalidade é crucial: combinar diferentes modais pode ajudar a reduzir custos e emissões, tornando o transporte mais eficiente.

O desafio de conectar diferentes modais

Internacionalmente, a discussão sobre corredores verdes avança, mostrando que a integração entre infraestrutura, tecnologia, políticas públicas e colaboração entre empresas é vital. No Brasil, o transporte rodoviário é responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa, o que destaca ainda mais a necessidade de soluções alternativas e sustentáveis.

A experiência global indica que reduzir emissões vai além da troca de combustíveis. Estratégias que envolvem a otimização do uso de veículos e o planejamento logístico podem resultar em benefícios ambientais e econômicos significativos. Exemplos na Europa, como a Rede Transeuropeia de Transportes (TEN-T), mostram o potencial de uma logística integrada que promove o uso de combustíveis de baixo impacto.

Investimento e articulação

Implementar corredores verdes no Brasil enfrenta desafios financeiros e regulatórios. A necessidade de capital para infraestrutura e a renovação de frotas demandam condições que incentivem os investimentos. A colaboração entre setores, incluindo a academia, também é fundamental para coordenar esforços e garantir a viabilidade dos projetos.

A agenda internacional, como a COP31, oferece uma plataforma ideal para explorar financiamento e compartilhar melhores práticas, permitindo que o Brasil se posicione como protagonista na construção de soluções para o transporte sustentável. O país precisa considerar suas particularidades e potencializar suas características, promovendo uma logística mais eficiente e menos poluente.

Portanto, o compromisso com os corredores verdes não é apenas uma questão ambiental; é uma oportunidade de transformação na mobilidade urbana, que avança em direção a um futuro mais sustentável e integrado.

Fonte: setcesp

Equipe Redação

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