Aumento de combustível e colheita elevam custos de frete

Alta do combustível e colheita da safra puxam aumento no valor do frete

O frete rodoviário registrou um aumento de cerca de 5% em março, conforme indica o Índice Frete.com de Preços (IFP). Esse crescimento surge após um período de queda no início do ano e reflete uma combinação de fatores que incluem a elevação do preço do diesel, o reajuste na tabela da NTT de frete e o recente período de colheita agrícola.

Charles Monteux, executivo da Frete.com, observa que a tensão geopolítica, como a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, ainda não tem um impacto claro sobre os preços do frete. Contudo, Roberto Jr, gerente de Inteligência de Negócios da Frete.com, destaca que a alta no preço do petróleo já exerce influência sobre o óleo diesel. O repasse desse aumento aos consumidores ainda está em um patamar parcial, dependendo de fatores como o cumprimento de reajustes nos postos e o equilíbrio entre a oferta e demanda.

O diesel, por sua vez, apresentou uma significativa variação, com um aumento de 13,9% registrado em março pelo IBGE. Para Alan Medeiros, assessor institucional da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), as recentes decisões do governo, como a isenção do PIS/Cofins, tinham como objetivo aliviar a situação dos caminhoneiros. Entretanto, a volatilidade dos preços do combustível continua a colocar pressão sobre o valor cobrado na carga, mantendo-o defasado.

Outro ponto relevante é a concentração regional de caminhões, onde o Sudeste lidera com 38,68% do total dos fretes, seguido pela Centro-Oeste com um crescimento expressivo de 61,7% em relação ao último trimestre de 2022, impulsionado pela colheita da safra.

A análise revela que o agronegócio é o principal responsável pelo aumento do frete no Brasil, apresentando uma alta de 5,8% em comparação anual entre o primeiro trimestre de 2025 e 2026. Em seguida, a indústria e a construção civil também demonstram aumentos, com altas de 4,7% e 4,3%, respectivamente.

Entretanto, o estudo aponta para um estrangulamento logístico provocado pela deficiência da malha rodoviária do país. Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística, ressalta que, mesmo com alternativas de transporte, como ferrovias e hidrovias, a dependência do caminhão para a primeira e a última milha compromete a eficiência logística do setor.

A falta de mão de obra é outro desafio, com a demanda por motoristas superando a disponibilidade no mercado. Essa escassez afeta diretamente os custos do frete, resultando em aumentos na carga.

Diante desse contexto, a expectativa é que os preços do frete não apresentem reduções em breve. Vladimir Maciel, coordenador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica, indica que a incerteza geopolítica no Oriente Médio afeta o preço do petróleo e, por conseguinte, o diesel. Mesmo com os problemas logísticos e a carência de motoristas que acentuam o custo do transporte, o setor deve continuar aquecido nos próximos meses, especialmente devido ao crescimento nas safras agrícolas.

Essas condições revelam um panorama desafiador para motoristas e transportadores, que precisam lidar com custos crescentes enquanto tentam garantir a eficiência da mobilidade no transporte de cargas. A compreensão desses fatores é fundamental para que motoristas e empresas logísticas se adaptem e planejem estratégias que minimizem impactos financeiros e maximizem a eficiência nas operações.

Fonte: Setcesp

Equipe Redação

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