Déficit de profissionais torna-se obstáculo na logística.

Déficit de Mão de Obra se Consolida como Entrave Estrutural na Logística

O painel “Superando a Crise de Mão de Obra: o novo playbook para uma logística e transporte inclusivos e de alta performance” marcou o encerramento do segundo dia do IV Interlog Summit, durante a 30ª Intermodal, abordando um diagnóstico alarmante: a escassez de profissionais já vem afetando a capacidade operacional do setor e tende a se agravar sem melhorias estruturais.

As discussões, moderadas por Pedro Moreira, presidente da Abralog, contaram com a presença de Roberta Diniz, do SEST SENAT; Pedro Soma, do iFood; Regina Rufino, do Mercado Livre; e Alessandro Rios, presidente da Martin Brower. Cada um trouxe à tona os impactos diretos da falta de mão de obra, que não só afeta a logística mas também impacta a mobilidade geral, uma vez que a ineficiência no transporte reflete em atrasos, aumento de custos e na qualidade do serviço prestado aos consumidores.

Pedro Moreira ressaltou que a adaptação das jornadas de trabalho pode exacerbar a crise. A previsão de que 250 mil novos profissionais seriam necessários no transporte indica uma pressão insustentável sobre um mercado já carente. Essa lacuna não é apenas uma questão de recrutamento; ela impacta diretamente na fluidez do trânsito, aumentando o congestionamento e reduzindo a eficiência da cadeia logística.

A formação de mão de obra qualificada surge como uma das soluções. Roberta Diniz mencionou os investimentos realizados pelo SEST SENAT, que ultrapassam R$ 40 milhões em capacitação, incluindo esforços para aumentar a participação feminina no setor. A inclusão de mulheres é uma estratégia não apenas social, mas também operacional, pois promove diversidade e inovação nas equipes, fundamentais para uma mobilidade mais eficiente.

Por sua vez, as práticas de gestão também foram discutidas. Regiões com liderança fraca tendem a ter maior absenteísmo e instabilidade, o que contribui para a falta de confiabilidade nas operações logísticas. Implementar uma liderança forte e treinada é essencial para garantir que a mobilidade urbana funcione de forma mais integrada.

A tecnologia também emergiu como uma ferramenta indispensável. No Mercado Livre, a inteligência artificial já atua no planejamento logístico, enquanto no iFood, a plataforma conecta uma rede extensa de restaurantes a entregadores de maneira eficiente. O uso de dados não apenas melhora a operação, mas também ajuda a prever necessidades e a otimizar trajetos, aliviando a pressão sobre a infraestrutura de transporte.

Apesar das inovações, o absenteísmo continua sendo um desafio significativo, impactando diretamente a previsibilidade das operações. Essa instabilidade pode levar a atrasos, afetando não apenas os serviços de entrega mas também a experiência do consumidor.

Para mudar essa realidade, é essencial aumentar a produtividade e focar no desenvolvimento de lideranças. A escassez de profissionais já é uma questão estrutural que altera a dinâmica de recrutamento, exigindo um novo olhar das empresas para atrair e manter talentos.

O painel deixou claro que a solução para o déficit de mão de obra na logística envolve uma combinação de qualificação, inclusão e tecnologia. Essa abordagem integrada não apenas ajuda a mitigar a falta de profissionais, mas também cria um ambiente de trabalho mais eficiente e produtivo, refletindo diretamente na mobilidade urbana e na experiência do motorista.

Fonte: Abralog

Equipe Redação

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