Governo se compromete com metas fiscais, mas dívida persiste, afirma Beker, do BofA.

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O governo brasileiro tem apresentado um compromisso com as metas fiscais, mas essas medidas ainda não são suficientes para garantir a estabilização da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa é a análise de David Becker, chefe de economia no Brasil e estratégia para América Latina do Bank of America (BofA).
Becker destaca que, apesar do empenho do governo, para que a dívida/PIB realmente se estabilize, o esforço fiscal esperado deve ser bem maior. “O governo precisa apresentar pelo menos 2% do PIB de superávit primário — eu diria que o ideal seria em torno de 3% — para garantir essa estabilização”, enfatizou. A proposta do Orçamento de 2026 apresentada ao Congresso Nacional aponta uma meta de superávit primário de apenas 0,25% do PIB, equivalente a R$ 34,3 bilhões.
Essa situação fiscal impacta diretamente a mobilidade e o cotidiano dos motoristas. Quando há uma instabilidade nas contas públicas, isso pode refletir em um aumento nos impostos e taxas, que podem onerar o dia a dia de quem depende de veículos para trabalhar ou se deslocar. Um orçamento mais equilibrado é fundamental para investimentos em infraestrutura, como a melhoria de estradas e a ampliação de transportes públicos, que beneficiam todos os cidadãos, especialmente motoristas.
Becker também reforça que ajustes fiscais estruturais são politicamente desafiadores, mas essenciais. “Tornar o orçamento mais flexível é necessário”, disse ele. A capacidade do Brasil de se destacar em um cenário econômico global mais turbulento pode depender justamente da eficácia com que essas questões fiscais forem tratadas. Isso poderia abrir espaço para a atração de investimentos, o que, por sua vez, pode resultar em melhores condições para a mobilidade urbana.
O economista prevê que a discussão sobre fiscalidade ganhe destaque a partir de 2027, após as eleições presidenciais, criando uma possível janela para ajustes estruturais. Até lá, a ambiguidade e a incerteza sobre a condução fiscal do governo atual, seja de direita ou de esquerda, continuam sendo um fator que pode impactar a confiança do mercado e, consequentemente, as condições de mobilidade no país.
PIB em desaceleração
O início de 2025 trouxe um crescimento do PIB de 1,4% no primeiro trimestre, mas há sinais de desaceleração, com o índice reduzindo para 0,4% no segundo trimestre. A expectativa é de um desempenho ainda mais fraco no segundo semestre. Becker observa que, apesar de surpresas positivas iniciais, a tendência é de desaceleração.
A adoção de medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a dedução do consignado privado estão em discussão, mas não devem gerar riscos fiscais adicionais significativos. No entanto, qualquer nova medida que amplie os gastos pode se transformar em um desafio, afetando diretamente a mobilidade da população.
Fonte: Money Times





