Pessôa, do BTG: Política monetária supera a fiscal.

Política Monetária e seus Impactos na Mobilidade

A economia brasileira está se preparando para um “pouso suave”, segundo Samuel Pessôa, chefe de pesquisa econômica do BTG Pactual. Em um contexto onde a política monetária é bastante contracionista e a fiscal é expansionista, a primeira parece estar prevalecendo, resultando em uma desaceleração econômica significativa, com a taxa Selic atualmente a 15% ao ano.

Essas mudanças macroeconômicas têm implicações diretas na mobilidade dos cidadãos e na vida dos motoristas. A restrição ao crédito e a elevação dos juros desestimulam investimentos em infraestrutura, o que pode levar a um aumento das dificuldades de mobilidade nas grandes cidades. Se os setores cíclicos da economia, que representam cerca de 70% do PIB, desaceleram de 4% em 2024 para apenas 1%, podemos esperar um impacto reflexivo nas obras de melhoria de estradas e transporte público, essenciais para a mobilidade urbana.

Além disso, a desaceleração na política fiscal, que indica um crescimento de gastos primários abaixo de 2% nesse ano, poderá resultar em cortes ou atrasos em projetos de transporte, diretamente afetando os motoristas que dependem de um sistema viário eficiente e seguro. No entanto, a manutenção do pleno emprego, com um hiato menor do que a média histórica, sugere que, enquanto a economia resfria, ainda há oportunidades de mobilidade viável para a população.

Projeções apontam um crescimento do PIB de 1,9% em 2025 e 1,5% em 2026, mas a intensificação da desaceleração pode ser um fator que atrapalha ainda mais o cenário de mobilidade. Se, por um lado, a política monetária restritiva combate a inflação, por outro, os motoristas podem enfrentar um cenário de estradas mal conservadas e serviços de transporte insuficientes.

A combinação de juros elevados e um ambiente econômico mais fraco, como destacado pela economista-chefe do JP Morgan, Cassiana Fernandez, reforça a ideia de que as pressões inflacionárias estão diminuindo, mas a mobilidade urbana tende a sofrer com a falta de investimentos essenciais. Os motoristas precisam ficar atentos a essas dinâmicas, pois a saúde econômica reflete frequentemente na qualidade de vida e na eficiência de transporte.

Assim, é crucial que as políticas públicas não apenas respondam às exigências econômicas, mas que também considerem a vitalidade da mobilidade urbana como um pilar essencial para o desenvolvimento social e econômico do país. A interseção entre economia e mobilidade é um aspecto que merece atenção especial, especialmente em tempos de transição econômica.

Fonte: Money Times

Equipe Redação

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