Transformação Logística: Automação frente à escassez de trabalhadores

Logística em Transformação: Automação como Resposta à Falta de Mão de Obra

No recente evento "Logística em Transformação: Automação, Produtividade e Eficiência Operacional", especialistas destacaram um problema crítico enfrentado pela logística brasileira: a escassez de mão de obra qualificada para trabalhos operacionais. Roberto Soares, do Grupo Pereira, e Leonardo Araki, da Invent Smart Intralogistics Solutions, apresentaram dados que refletem essa situação preocupante, como a queda de 38% na busca por vagas operacionais. Essa mudança é impulsionada por fatores como o envelhecimento da força de trabalho e as novas dinâmicas da economia de serviços.

A rotatividade significativa, com uma média de 56%, e as perdas diárias de produtividade, que variam entre 12% e 18% devido ao absenteísmo, ressaltam a urgência desse desafio. As condições de trabalho, frequentemente marcadas por tarefas repetitivas e exaustivas, resultam em um ambiente de trabalho desfavorável para os motoristas e trabalhadores em geral, comprometendo a eficiência da mobilidade e da logística.

Para os especialistas, a automação é a chave para enfrentar essa crise e reduzir o abismo de produtividade do Brasil em relação a outras nações. Enquanto um trabalhador brasileiro gera, em média, apenas US$ 21 por hora, nos Estados Unidos esse valor é de impressionantes US$ 75. Assim, a automação não só propõe uma solução para a falta de mão de obra, mas também promove uma transformação significativa na produtividade do setor.

Um ponto frequentemente debatido é a ideia de que a automação poderia eliminar empregos. No entanto, o que se observa é uma mudança nas funções desempenhadas pelos trabalhadores. Em vez de eliminar postos, a tecnologia transforma funções, levando os trabalhadores a atuarem como programadores, supervisores e gerentes de sistemas automatizados. Os benefícios não se limitam à eficiência operacional: a automação também contribui para a segurança no trabalho, reduzindo esforços físicos e acidentes, e melhorando a rastreabilidade nas operações.

Um exemplo prático mencionado no evento é o modelo de centro de distribuição (CD) que integra soluções de automação, como armazenagem de alta densidade, separação de pedidos e o uso de robôs e exoesqueletos. Esses exoesqueletos, que ajudam a aliviar o esforço físico no manuseio de cargas, têm um impacto direto na saúde e bem-estar dos motoristas, promovendo um ambiente de trabalho mais seguro e saudável.

Além disso, a colaboração entre empresas, como a parceria entre Invent e Grupo Pereira, já recebeu reconhecimento no setor. Um projeto de inteligência artificial desenvolvido por ambas as entidades conseguiu eliminar 12 milhões de etiquetas anualmente, demonstrando como a inovação pode resultar em ganhos operacionais significativos.

A transição para a automação na logística não apenas aborda a questão da falta de mão de obra, mas também tem implicações diretas para os motoristas e para a mobilidade geral. Com processos mais eficientes e seguros, espera-se que a logística se torne mais ágil, contribuindo para um fluxo contínuo de mercadorias e veículos nas estradas.

Portanto, a automação deve ser vista não apenas como uma solução para os desafios do momento, mas como uma estratégia necessária para o futuro da logística, que pode beneficiar todos os envolvidos, desde os trabalhadores até a mobilidade urbana.

Fonte: motorista.com.br

Equipe Redação

Equipe de redação é um grupo de profissionais que trabalham juntos para criar conteúdo escrito para Motorista.com.br
Botão Voltar ao topo