Mulheres representam 10% na operação aquaviária, mas dominam o Elektra.

O Starnav Elektra, a primeira embarcação com propulsão híbrida construída no Brasil, agora opera com uma tripulação exclusivamente feminina. Essa equipe, que ocupa todas as funções a bordo, desde o comando até operações, representa um avanço significativo em um setor tradicionalmente dominado por homens.
Essa iniciativa destaca a importância da inclusão feminina em um ambiente onde a presença delas ainda é escassa. Dados da 2ª Pesquisa sobre Equidade de Gênero no Setor Aquaviário, realizada pela Antaq, mostraram que, em 2024, apenas 17,8% dos empregos no setor eram ocupados por mulheres. A situação é ainda mais crítica nas funções operacionais, onde elas representam apenas 10% dos postos. Contudo, nas gerências, esse número chega a 25%, vislumbrando um espaço crescente para as mulheres em posições de liderança.
Com o aumento da formação de profissionais mulheres, como indicado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Aéreos, a perspectiva de mudança se torna ainda mais promissora. Desde 1997, o Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba) tem formado mulheres para o setor, e em 2025, elas já ocupam 35% das vagas oferecidas.
Primeiro híbrido construído no país
O Elektra, construído pelo Estaleiro Detroit em Itajaí (SC) para operações da Petrobras, se destaca não apenas pela sua inovação tecnológica – unindo geração convencional de energia com armazenamento em baterias – mas também pelas oportunidades que oferece. O sistema de gerenciamento de energia integrado ajusta o funcionamento da embarcação conforme a demanda, o que reflete um compromisso com a eficiência e a sustentabilidade.
Ademais, 65% a 70% dos componentes utilizados no projeto são de origem nacional, e a embarcação oferece a possibilidade de uso de HVO (Hydrotreated Vegetable Oil), um combustível renovável que, aliás, pode minimizar a dependência de combustíveis fósseis. Esses fatores não apenas beneficiam a indústria naval brasileira, mas também contribuem para a redução das emissões de carbono, levando a uma mobilidade mais sustentável.
A participação feminina também foi um aspecto presente durante a construção do Elektra, com cerca de 58 mulheres envolvidas em diversas etapas do projeto, abrangendo áreas como engenharia, planejamento e produção. Segundo a comandante do Elektra, Isabela Teixeira Ponce de Leon, essa tripulação feminina é um passo importante para que a presença das mulheres nas funções de comando e operação se torne uma norma, e não uma exceção. “O maior resultado desse momento talvez seja chegar a um futuro em que uma mulher no comando, na máquina ou em qualquer função a bordo seja apenas parte da realidade da Marinha Mercante”, afirma a comandante.
Fonte: transportemoderno






