Transporte se recupera após dois trimestres de declínio, diz CNT.

Alta de 1,1% entre abril e junho ocorre em um cenário de diesel mais caro, consumo mais fraco e crédito ainda restrito

O setor de transporte interrompeu uma sequência de dois trimestres de queda e registrou um crescimento de 1,1% entre abril e junho de 2026. Esse resultado é ainda mais significativo em um contexto de custos operacionais elevados, crédito restrito e uma demanda que não se apresenta tão vigorosa. A análise do cenário mostra que, apesar dos desafios, o setor começa a dar sinais de recuperação, o que pode trazer efeitos positivos tanto para os motoristas quanto para a mobilidade geral.

A demanda por serviços de transporte é fundamental para a saúde econômica do setor. Embora a economia brasileira tenha apresentado crescimento, a desaceleração do consumo das famílias, que caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, é um fator que merece atenção. Com o crescimento do PIB de Transporte, Armazenagem e Correio em 1,2% no segundo trimestre, podemos vislumbrar uma recuperação que, se mantida, poderá beneficiar diretamente os motoristas, proporcionando um ambiente mais positivo para atividades de transporte e logística.

Taxa Selic e seu impacto no setor

Com a redução da Selic para 13,75% ao ano, o empresariado sente um alívio, mas o crédito ainda se mostra caro. Para motoristas e pequenas empresas de transporte, isso significa que os investimentos em renovação de frota ou ampliação das operações permanecem desafiadores. Se os custos de operação continuarem elevados, a expectativa de crescimento poderá ser limitada, afetando diretamente as oportunidades de trabalho e a mobilidade das pessoas.

Perspectivas do setor de serviços de transporte

Apesar do crescimento de 0,4% no volume dos serviços de transporte em julho em relação a junho, o acumulado do ano ainda revela uma queda de 1,4%. A variação entre as modalidades também aponta para um cenário complexo: enquanto o transporte terrestre mostrou leve crescimento, o aéreo sofreu uma retração significativa. A diversificação e adaptação dos serviços pode ser a chave para que motoristas e empresas de transporte se ajustem às demandas do mercado e aproveitem as oportunidades geradas por esse crescimento.

Pressão contínua nos custos

Os custos operacionais continuam a ser uma preocupação. O diesel, que representa um dos principais componentes, subiu 13,35% em 2026. Tais aumentos impactam diretamente o dia a dia dos motoristas e das empresas que dependem do transporte, dificultando a manutenção e os investimentos. A análise da diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende, ressalta que, apesar do crescimento trimestral, ainda é necessário cautela, pois a demanda continua fraca e os custos altos. Isso reforça a necessidade de estratégias sustentáveis no setor, que visem não apenas a recuperação, mas também a eficiência a longo prazo.

Em resumo, a leve recuperação do setor de transporte pode sinalizar um período de renovação, mas os motoristas e empresas precisam se adaptar a um ambiente econômico desafiador. Será crucial monitorar se esse crescimento se mantém, permitindo não apenas a melhoria das condições de trabalho, mas também uma mobilidade mais eficiente e integrada em nossas cidades.

Equipe Redação

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