Regulamentação impacta pátios, despesas e qualidade do serviço.

Painel na ‘Logística do Futuro’ discutiu efeitos das normas sobre a operação e defendeu a antecipação do setor diante das mudanças regulatórias
O painel “Regulamentação do Transporte”, que reuniu Pedro Moreira, presidente da Associação Brasileira de Logística (Abralog), Fabrício Chaves, CEO do operador logístico Imediato Nexway, e Maria Carolina Noronha, assessora governamental da Confederação Nacional do Transporte (CNT), discutiu como as recentes regras, controles e fiscalizações do transporte rodoviário de cargas já impactam diretamente os pátios, os custos, os tributos e o nível de serviço das empresas.
Essas mudanças exigem uma resposta mais ágil do setor, como alertou Pedro Moreira da Abralog. Realizado durante o evento Logística do Futuro, o debate tratou de questões como o piso mínimo de frete, seguros obrigatórios, documentação eletrônica e novas regras tributárias. “De outubro de 2025 para cá, tudo mudou”, afirmou Maria Carolina.
Foi destacado também o papel da relação comercial entre operadores logísticos e embarcadores, onde Fabrício Chaves ponderou que a negociação não deve se restringir apenas à tarifa, uma vez que o preço do serviço reflete todos os custos operacionais, obrigações legais e a qualidade do atendimento.
Piso mínimo, jornada e união do setor
Segundo Pedro Moreira, a Lei do Piso Mínimo de Frete, vigente desde 2018, ganhou atenção do setor recentemente. Ele enfatizou a importância de monitorar as mudanças antes que seus efeitos se tornem explícitos. “Nosso setor não é muito unido para os temas da regulação. Precisamos participar da construção de uma tabela que reflita a realidade do mercado”, destacou.
Moreira também fez referência à proposta de escala de jornada 6×1, que poderá aumentar a demanda por motoristas em um cenário onde já enfrentamos escassez de mão de obra. A discussão sobre a jornada é crucial, uma vez que, de acordo com estudos da Fiesp, essa nova jornada poderia impactar em 18% a 20% nos ganhos dos profissionais.
Ele ressaltou ainda que, enquanto a transformação digital e a infraestrutura são frequentemente debatidas, a regulação é um tema vital que deve ser tratado com seriedade. “Uma regulação bem feita pode criar governança sobre toda a operação, beneficiando a cadeia de suprimentos como um todo”, afirmou.
Do embarcador para o operador logístico
Fabrício Chaves, em sua nova função como operador logístico, trouxe à tona uma nova perspectiva sobre a complexidade do dia a dia desse setor. Ele ressaltou a necessidade de um alinhamento de conhecimento entre embarcadores e operadores, enfatizando que a implementação de novas normas não deve ser vista apenas sob a ótica legal, mas como algo que impacta diretamente na operação e no atendimento.
“A implementação de normas gera consequências significativas que afetam toda a cadeia, desde o despacho no pátio até a jornada de trabalho da equipe”, alertou Chaves. Essa compreensão é crucial para que as empresas se preparem e se antecipem às mudanças, criando uma cultura de responsabilidade e adaptabilidade.
Responsabilidade alcança toda a cadeia
Maria Carolina, assessora da CNT, destacou que o transporte rodoviário hoje abrange uma variedade maior de perfis e operações, colocando todos os envolvidos no mesmo barco em relação às responsabilidades regulatórias. Ela alertou também sobre o crescente avanço da fiscalização eletrônica e a importância de uma comunicação eficiente entre empresas, sindicatos e federações para uma atuação mais eficaz no governo e nas agências reguladoras.
Por fim, Maria Carolina enfatizou que a troca de informações sobre dificuldades na aplicação das regras é fundamental para que o setor possa ser representado de forma eficaz nas esferas de decisão. Essa colaboração é essencial para que as mudanças na legislação se traduzam em benefícios reais para motoristas e para a mobilidade geral, contribuindo para um sistema de transporte mais seguro e eficiente.
Fotos:: Antonio Frugiuele | Arte: Abralog
Fonte: Carta de Logística






