Motorista do aplicativo fatura até R$ 9 mil mensal; app gera R$ 230 mil em corridas.

Motorista do APK Tem fatura até R$ 9 mil por mês; app movimenta R$ 230 mil em corridas

O aplicativo APK Tem transformou a vida de Antonio Clezio Alpes Custodio após uma mudança inesperada de percurso. Natural de Goiás e residente em Prata, no Triângulo Mineiro, ele sofreu as consequências de um acidente de trabalho que o levou a deixar sua antiga profissão. Nesse contexto, começou a atuar como motorista em um aplicativo regional que havia sido criado por um conhecido.

Prata, com aproximadamente 40 mil habitantes, ainda não tinha o hábito de utilizar serviços de transporte por aplicativo. Apesar da proximidade com Uberlândia, essa modalidade de mobilidade não estava inserida na rotina dos moradores. O aplicativo original contava com poucos usuários e, após três meses, o antigo proprietário decidiu passar a operação para Clezio.

“Como eu não podia trabalhar em outro serviço casual, pensei: se o aplicativo tiver chamada, já está tudo bem. Esse foi o pensamento inicial”, conta ele.

Central telefônica como diferencial

Antes de adquirir o aplicativo, Clezio sugeriu uma inovação ao antigo proprietário: a criação de uma central de atendimento com telefone fixo. Essa iniciativa visava atender especialmente os idosos, que muitas vezes não têm familiaridade com tecnologia.

Ao assumir a operação, sua primeira medida foi implementar essa central, que também aceitaria ligações a cobrar e utilizaria o WhatsApp para atendimento. Enquanto Clezio se dedicava a dirigir, sua esposa ficava em casa gerenciando os pedidos.

“Na nossa cidade, com mais de 150 anos, muitos idosos precisavam de transporte”, afirma.

Crescimento pela confiança

Sem recursos para grandes campanhas publicitárias, Clezio apostou na divulgação boca a boca. Ele pediu ajuda a amigos e familiares para espalhar a notícia de que estava disponível para transportar passageiros. As primeiras corridas vieram dessa rede de confiança, e conforme a demanda aumentava, mais motoristas começaram a se juntar à operação.

“Comecei sozinho e depois fiz parcerias com dois, três, quatro motoristas. Desde que peguei o aplicativo, ele só cresceu”, recorda.

De três para quase 200 motoristas

No início, Clezio contava apenas com três motoristas. Atualmente, a operação tem cerca de 200 condutores nas quatro cidades onde atua. Em Prata, são aproximadamente 100 motoristas; em Campina Verde, 30; em Uberaba, cerca de 40; e também há uma operação em Conceição das Alagoas.

Investimento e superação

Clezio adquiriu o aplicativo por R$ 5 mil, parcelados em cinco vezes, mas enfrentou dificuldades financeiras, especialmente durante a pandemia, que impôs novos desafios. O aplicativo levou um ano para se tornar sustentável, e até lá, Clezio teve que buscar outras fontes de renda.

A pandemia, que começou poucos meses após Clezio assumir a operação, se provou o período mais complicado. Mesmo com a pressão do momento, ele optou por continuar a oferecer transporte, focando nas necessidades de emergência.

A mudança de gestão

Após alguns anos operando como motorista e gestor, Clezio percebeu que poderia otimizar ainda mais a operação se focasse na gestão. Ele decidiu deixar a direção e se dedicar exclusivamente à administração do aplicativo. Essa mudança resultou em um aumento significativo no faturamento.

“Eu achava que eram um ou dois problemas, mas encontrei vários. Organizei tudo, e o faturamento dobrou de um mês para o outro”, explica.

O impacto do atendimento humanizado

O APK Tem possui mais de 15 mil passageiros cadastrados, enquanto a central de atendimento via WhatsApp tem uma base ainda maior, com mais de 20 mil clientes. Esse cenário ressalta a importância do atendimento humano, especialmente em cidades menores, onde muitos moradores, como os idosos e famílias, preferem interagir através de ligações ou mensagens.

Corridas em alta demanda

A operação realiza entre 12 mil e 15 mil corridas por mês, com uma taxa de 17% cobrada dos motoristas. A corrida mínima é de R$ 14, e o ganho médio por quilômetro fica entre R$ 2,50 e R$ 3.

Atualmente, um motorista do APK Tem fatura entre R$ 6 mil e R$ 7 mil mensalmente, com o recorde alcançado de R$ 9 mil. Mensalmente, as corridas movimentam em torno de R$ 230 mil, com uma arrecadação total da plataforma que se aproxima de R$ 40 mil.

Perspectivas de expansão e união regional

O futuro do APK Tem inclui planos de expansão e a venda de licenças para interessados em levar o aplicativo a novas cidades. Clezio acredita que os aplicativos regionais devem se unir para melhorar sua competitividade em relação a grandes plataformas.

“Se tivermos uma união entre os aplicativos regionais, conseguiremos dominar o mercado. A confiança dos motoristas e passageiros é essencial para o sucesso a longo prazo”, conclui.

Legado de confiança

Clezio deseja que o APK Tem seja lembrado como um aplicativo confiável, que promove segurança e agilidade no transporte. Essa confiança se manifesta na disposição de famílias e passageiros para utilizar o serviço em momentos críticos, mostrando que o aplicativo vai além de simplesmente oferecer corridas: ele é uma parte integrante da comunidade.

Equipe Redação

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