Estudo da CNT revela que biometano pode acelerar descarbonização do transporte pesado

O biometano, gerado a partir de resíduos agrícolas, industriais e urbanos, possui um potencial significativo para reduzir as emissões de gases do efeito estufa no transporte rodoviário pesado, superando as condições do diesel. Essa conclusão é destacada no estudo elaborado pela CNT, apresentado por Érica Marcos durante a 3ª edição do CIBiogás Conecta Transporte Pesado, em São Paulo.
Embora o biometano apresente grandes benefícios ambientais, sua adoção em larga escala está condicionada ao aumento da oferta, à melhoria da infraestrutura de abastecimento e, fundamentalmente, à sua competitividade econômica em relação aos combustíveis tradicionais. Érica Marcos frisou a importância de que a transição energética seja não apenas ambientalmente amigável, mas também economicamente viável. A sustentabilidade precisa estar atrelada à acessibilidade e segurança, permitindo um processo de adoção consistente e sólido.
Conforme o estudo, o biometano é obtido da purificação do biogás resultante da decomposição de resíduos orgânicos oriundos da agropecuária, do saneamento e de resíduos sólidos urbanos. Este combustível apresenta características similares ao gás natural veicular (GNV), podendo abastecer caminhões e ônibus adaptados. A adoção do biometano não apenas diminui as emissões de gases poluentes, mas também reduz a dependência de combustíveis fósseis e promove a economia circular ao transformar resíduos em energia renovável.
O transporte rodoviário brasileiro já conta com veículos compatíveis com o biometano, demonstrando a viabilidade técnica dessa alternativa. Entretanto, sua ampliação ainda enfrenta desafios, como a necessidade de infraestrutura adequada, aumento na oferta, redução dos custos dos veículos adaptados e a implementação de políticas públicas que estimulem sua utilização. A competitividade do biometano pode ser crucial para a mobilidade sustentável, beneficiando motoristas que buscam opções mais limpas, além de reduzir custos a longo prazo.
O estudo ainda revela que o Brasil, especialmente São Paulo, possui um enorme potencial para expansão desse mercado, concentrando cerca de 53% da produção nacional de biometano veicular. Com uma capacidade de 3,7 milhões de metros cúbicos por dia, 63% dessa produção advém de resíduos sólidos urbanos, o que reflete a eficácia da transformação de lixo em uma fonte de energia valiosa.
A 3ª edição do CIBiogás Conecta Transporte Pesado, promovida pelo Club de Negócios do CIBiogás, reuniu representantes da indústria, transportadores e especialistas para discutir as oportunidades e desafios da expansão do biometano no transporte pesado. Essa interação entre diferentes setores é vital para moldar o futuro do transporte, promovendo uma mobilidade mais limpa e eficiente.
Fonte: setcesp






