Transporte se torna mais inteligente com novas infraestruturas.

A rodovia começa a enxergar: identifica um objeto na pista, percebe que um motorista está com sono e gera uma ordem de manutenção ao encontrar um buraco.

“Qual é o sonho nosso? Uma grande torre de controle onde você consiga controlar a cadeia de suprimentos de ponta a ponta”, afirmou Pedro Moreira, presidente da Associação Brasileira de Logística, ao abrir o painel “A era da IA física e agêntica chega à infraestrutura”, na quarta-feira, 7 de outubro, na Futurecom, um dos mais importantes eventos de tecnologia e telecomunicações da América Latina.

Moreira moderou a discussão com Eduardo Camargo, CEO da Motiva, e Luiz Antonio Valentim, líder de desenvolvimento de negócios em inteligência artificial da Dell Technologies. O painel abordou a conexão da inteligência da infraestrutura com as necessidades dos transportadores, destacando a importância de usar informações das rodovias para planejar viagens e coordenar chegadas aos terminais. Assim, é possível evitar que um gargalo em uma etapa comprometa toda a operação, beneficiando motoristas e melhorando a mobilidade geral.

Com câmeras, sensores e inteligência artificial, a infraestrutura de transportes se torna capaz de identificar ocorrências, antecipar riscos e acionar atendimento ou manutenção. Exemplos dessa transformação já estão sendo aplicados no Brasil, indicando um futuro promissor onde a inteligência compartilhada entre concessionárias, transportadores e terminais proporciona decisões mais seguras e melhor aproveitamento de recursos.

Da identificação à resposta

Na Motiva, essa evolução já é percepcionada nas operações dos cerca de cinco mil quilômetros de rodovias administradas. Eduardo Camargo explicou que a cobertura por câmeras se aproxima de 90% da malha e que a implantação de conectividade inclui pelo menos rede 4G. O centro de controle integrado em Jundiaí coleta informações para coordenar atendimentos. Câmeras embarcadas nas viaturas conseguem identificar problemas como buracos e objetos na pista, gerando ordens de serviço para manutenção. “A conectividade é a base de tudo”, ressaltou Camargo.

A capacidade de antecipar riscos também se estende ao comportamento dos motoristas. As câmeras instaladas em viaturas operacionais reconhecem sonolência e distração, acionando alarmes e orientando paradas, o que resultou em uma redução de mais de 60% na sinistralidade das operações. “O maior legado de um contrato de concessão de rodovia é a redução de acidentes e mortes”, afirmou Camargo, destacando que algumas decisões ainda requerem supervisão humana.

Os gêmeos digitais possibilitam simulações antes da execução de intervenções. Camargo apresentou o desafio de contar com representações digitais dos cinco mil quilômetros de rodovias da Motiva nos próximos três anos, um compromisso que pode transformar o gerenciamento da infraestrutura. Projetos em andamento desenvolverão essa abordagem, permitindo um acompanhamento mais eficaz dos ativos ao longo de sua vida útil.

Inteligência compartilhada com a cadeia

Conectar essas capacidades aos demais participantes do transporte é crucial para enfrentar problemas como ociosidade e fluxo inadequado. Camargo exemplificou a coordenação de chegadas de caminhões aos portos, onde um motorista poderia ser orientado a aguardar em um ponto seguro, aumentando a eficiência e reduzindo emissões de gases. Essa aplicação projetada poderá trazer significativos benefícios para os motoristas e o meio ambiente.

A expansão da inteligência requer também medidas de proteção contra ciberataques. Valentim destacou a necessidade de salvaguardar os sistemas de IA e evitar tentativas de manipulação. Camargo citou que a plataforma digital de pagamento de pedágio da Motiva bloqueia mais de cem tentativas diárias de fraude, evidenciando os desafios que as empresas enfrentam na era digital.

Os participantes concordaram que a próxima fase envolve ampliar o uso e integração dessas ferramentas, com foco em segurança e eficiência no serviço. Moreira relacionou essa evolução à redução do custo logístico brasileiro e à melhoria da experiência dos motoristas. A tecnologia deve ser uma aliada na construção de um sistema de transporte mais seguro, eficiente e sustentável, beneficiando todos os envolvidos na cadeia de suprimentos.

Fonte: Associação Brasileira de Logística

Equipe Redação

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