Falta de trabalhadores afeta logística e qualidade do serviço.

Caminhões parados e mão de obra mais cara: a escassez impacta a logística
A escassez de mão de obra no setor de transporte já gera impactos visíveis na logística brasileira. Caminhões parados, fretes em alta e o risco de descumprimento de serviços revelam que essa situação não é mais restrita a questões de recrutamento, mas se transforma em um desafio de eficiência operacional.
Durante o evento “Logística do Futuro”, Flávio Amaral, diretor corporativo da Imediato Nexway, destacou que a falta de motoristas se traduz em um aumento significativo dos custos operacionais. Em apenas 24 meses, o custo da mão de obra cresceu 13,42%, muito mais do que os aumentos de 2,69% no combustível e 2,61% nos veículos, conforme indicou uma pesquisa da NTC&Logística. Isso representa uma pressão financeira intensa sobre as empresas, impactando diretamente a capacidade de atendimento aos clientes e a qualidade do serviço prestado.
As dificuldades em encontrar motoristas qualificados estão afetando cerca de 88% das empresas consultadas. Muitas transportadoras enfrentam a realidade de frota ociosa, com uma média de oito caminhões parados devido à falta de profissionais. Essa ineficiência não apenas eleva os custos, mas também compromete a entrega pontual e a satisfação do cliente.
Novas gerações e a profissão de motoristas
A estrutura da oferta de mão de obra para motoristas enfrenta desafios adicionais. Entre 2015 e 2025, o Brasil perdeu aproximadamente 1,2 milhão de habilitados nas categorias C e E. A média de idade dos motoristas é de 45,3 anos, e apenas 9,5% têm menos de 30 anos. O interesse das novas gerações por uma profissão frequentemente marcada por longas jornadas e riscos elevados tem diminuído.
Em face desse cenário, a retenção de talentos se torna uma estratégia crucial. Talento preparado deve ser valorizado e reconhecido em suas trajetórias, possibilitando carreiras promissoras dentro das empresas. Quando os motoristas percebem oportunidades de crescimento, isso não só retém os profissionais, mas também contribui para a estabilidade e eficiência operacional.
A automação como aliada, não substituta
Embora a automação possa ajudar a mitigar a pressão sobre a mão de obra, a realidade é que não substitui a necessidade de pessoas. Ela representa uma opção para otimizar determinadas funções e processos, mas não é uma solução isolada. A tecnologia requer investimento e adaptação, e a relação humana continua sendo insubstituível em várias áreas da logística.
Os embarcadores também desempenham um papel vital na solução desse problema. Oferecer salários competitivos é essencial para atrair motoristas, principalmente em regiões onde a concorrência é alta. A falta de propostas adequadas apenas agrava a dificuldade para a contratação, resultando em perdas para todas as partes envolvidas.
Desafios e oportunidades nas plataformas digitais
As plataformas digitais, como Uber e iFood, ampliaram as opções de trabalho, criando um novo cenário de concorrência para os motoristas. Com cerca de 4,5 milhões de profissionais atuando em entregas, essas aplicações atraem mão de obra que poderia estar disponível para o transporte rodoviário de carga. A disputa por motoristas se intensifica em locais onde a concentração de empresas é alta, elevando a competição.
A regulamentação das plataformas e a definição de relações de trabalho mais claras têm o potencial de equilibrar o mercado, mas é necessário que as empresas adotem contratações que combinem flexibilidade e segurança jurídica. Para evitar problemas trabalhistas e garantir um ambiente saudável e produtivo, práticas adequadas de documentação e contratos são imprescindíveis.
Conclusão
A escassez de mão de obra já é uma realidade tangível para o setor de logística, impactando custos e níveis de serviço. Atender a essa questão exige uma abordagem multifacetada que considere a valorização dos motoristas, a automação como um suporte, e a adaptação ao novo panorama das plataformas digitais. Ao enfrentarem esses desafios, as empresas podem melhorar sua eficiência e garantir um atendimento de qualidade, essencial para a mobilidade e o desenvolvimento do setor.
Fonte: Abralog






