A eletrificação é realmente uma inovação?

Eletrificação é novidade? – Carta de Logística

Ricardo Oribka

Na intralogística, a resposta é não. Equipamentos como empilhadeiras retráteis e paleteiras sempre foram elétricos. A eletrificação tem acompanhado o desenvolvimento do setor nos últimos 15 anos, evidenciando que, nos galpões brasileiros, essa tecnologia já está consolidada.

O que realmente mudou nos últimos anos foi a evolução das baterias. A introdução da tecnologia de lítio resolveu três grandes desafios que limitavam a eletrificação em operações mais pesadas: a necessidade de troca de baterias entre turnos, a exigência de estruturas dedicadas às salas de bateria e as limitações de autonomia em regime contínuo.

Com a possibilidade de cargas intermediárias, uma vida útil que supera em três vezes a dos modelos tradicionais, e uma redução de até 30% no consumo de energia, operações que antes dependiam de combustíveis fósseis agora conseguem ser mais viáveis com soluções elétricas. Isso se deve não apenas a questões ambientais, mas à economia e eficiência que essa tecnologia proporciona.

É fundamental considerar o custo total da operação, que deve incluir não apenas o preço do equipamento, mas também despesas com combustível, manutenção, disponibilidade da máquina e até o tempo em que ela fica parada. Uma máquina fora de operação gera custos que vão muito além do simples reparo; ela afeta a produtividade e eficiência geral do trabalho. Essa avaliação não se resume à bateria, mas à infraestrutura de peças e ao suporte técnico qualificado.

Quando as empresas realizam esse cálculo de forma acurada, a eletrificação se transforma de um simples argumento de sustentabilidade em uma estratégia competitiva, trazendo redução de emissões e melhores condições de trabalho.

O desafio para os profissionais do setor é entender as necessidades do cliente antes de sugerir tecnologias. Não existe uma solução única; cada operação demanda uma abordagem personalizada, que transforma dados, restrições e objetivos em decisões visando eficiência, segurança e crescimento sustentável.

Enquanto alguns apenas exploraram um nicho de empilhadeiras com bateria, outros se prepararam para atender às exigências de disponibilidade dos clientes em uma perspectiva de longo prazo, abrangendo todas as classes de empilhadeiras.

Portanto, a eletrificação não é uma novidade em si, mas a questão central é como as empresas estão se preparando para aproveitar todos os benefícios que essa tecnologia pode oferecer, não apenas para suas operações, mas para a mobilidade como um todo.

Fonte: Carta de Logística

Equipe Redação

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