Empresas investem R$ 2 milhões em ônibus, mas negligenciam motoristas.

Empresas compram ônibus de R$ 2 milhões, mas não investem nos motoristas

Um ônibus rodoviário moderno representa um investimento significativo para qualquer empresa de transporte. Modelos de dois andares, utilizados em linhas de longa distância, estão disponíveis no mercado por valores que superam R$ 2 milhões. Esses veículos são equipados com tecnologia de ponta, incluindo sistemas avançados de segurança, câmbio automatizado e motores modernos, apresentando uma série de melhorias em relação às gerações anteriores. No entanto, toda essa inovação depende da habilidade de um motorista qualificado ao volante.

Essa situação revela uma contradição no setor de transporte de passageiros. Enquanto as empresas investem fortemente em renovar suas frotas, enfrentam dificuldades para encontrar motoristas capacitados. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) revelou que quase metade das empresas do transporte rodoviário intermunicipal de passageiros possui vagas abertas para motoristas.

Não se pode generalizar o setor, pois algumas empresas se destacam por investir em escolas internas e programas de treinamento, visando a formação de novos profissionais. Entretanto, a escassez de mão de obra qualificada demonstra que a simples aquisição de veículos novos não é suficiente para garantir a operação eficaz.

Motoristas que conduzem ônibus desse porte precisam dominar diversas competências, que incluem o conhecimento das dimensões do veículo, sua dinâmica em curvas, frenagem, sistemas eletrônicos e procedimentos de segurança. Além disso, muitas vezes estão ao volante de um patrimônio que facilmente alcança a casa de sete dígitos.

A falta de profissionais qualificados resultou em iniciativas como o programa "Mais Motoristas", desenvolvido pelo SEST SENAT. Em sua nova edição, lançada em 2026, o programa oferece apoio para custear a mudança de categoria da CNH, exames e formação profissional, visando solucionar a escassez de motoristas no Brasil. Nas edições anteriores, mais de 55 mil pessoas se inscreveram, e, até 2026, mais de 15 mil habilitações foram entregues, com mais de 3 mil participantes já inseridos no mercado de trabalho.

Frente a esse cenário, surge uma questionamento nas garagens: se existe verba para a aquisição de um ônibus de R$ 2 milhões, quanto tem sido investido na formação, contratação e capacitação daqueles que irão operar essas máquinas diariamente?

É importante lembrar que um veículo novo pode permanecer na frota da empresa por décadas, enquanto o motorista precisa ser motivado com salário, oportunidades de crescimento e boas condições de trabalho para se manter no setor. Quando essa equação não é equilibrada, mesmo com uma garagem repleta de tecnologia, a empresa pode continuar enfrentando vagas de motoristas em aberto.

Fonte: brasildotrecho

Equipe Redação

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