Desafios da transição energética e adaptação climática em foco

Conselheira do IBL Destaca Desafios da Transição Energética e da Adaptação Climática
A conselheira do Instituto Brasil Logística e diretora-executiva do Instituto Praticagem do Brasil, Jacqueline Wendpap, participou do Nordeste Export, realizado em Maceió (AL). Durante o evento, ela elucidou os desafios enfrentados na descarbonização do setor portuário e a importância de políticas públicas integradas para a transição energética, além da adequação da navegação brasileira a eventos climáticos extremos.
Jacqueline destacou que a eletrificação dos portos é um dilema crucial na logística do país. Essa iniciativa requer investimentos substanciais e ainda não é adequadamente incorporada nos planejamentos estratégicos. Ela observou que a viabilidade da infraestrutura elétrica depende da demanda, ressaltando a necessidade de uma sinergia entre a oferta de energia e o uso pelos navios.
A executiva defendeu a urgência de discussões mais intensivas acerca da transição energética, enfatizando que o Brasil deve acelerar suas ações para se alinhar às transformações globais do mercado marítimo. Armadores internacionais já estão se preparando para utilizar combustíveis alternativos, como o etanol, para cumprir normas ambientais cada vez mais rigorosas.
A atuação coordenada do governo federal é crucial nesse cenário. Jacqueline enfatizou que a eletrificação dos portos deve ir além da competência das autoridades portuárias e fazer parte de uma política pública abrangente que inclua, principalmente, os ministérios de Portos e Aeroportos e de Minas e Energia. Uma integração mais eficaz pode fortalecer a estrutura necessária para suportar a modernização do setor.
Competitividade e Riscos para o Comércio Exterior
O impacto econômico da descarbonização é uma preocupação central. Se o Brasil não oferecer infraestrutura adequada para atender a novos navios, corre o risco de se tornar um destino para embarcações mais antigas e poluentes. Essa mudança pode elevar os custos de frete, uma vez que as exigências ambientais vão se refletir nos preços.
É fundamental que o Brasil olhe para o futuro da navegação, garantindo que os portos se adequem às novas demandas do setor. As soluções para a transição energética devem considerar tanto os desafios locais quanto as especificidades do país, que possui uma matriz energética relativamente limpa.
Preparação para Eventos Climáticos Extremos
No evento, Jacqueline também abordou como a praticagem brasileira está se preparando para eventos climáticos extremos, como o El Niño. Ela enfatizou que o setor já acumulou conhecimento técnico e experiência suficientes para lidar com essas adversidades, mencionando desafios recentes, como a seca na Amazônia e enchentes no Rio Grande do Sul.
O bom aprendizado e adaptação do setor são visíveis na implantação da navegação noturna em áreas afetadas. Contudo, o verdadeiro desafio está em como o Brasil encara os riscos climáticos. É essencial adotar uma visão que trate as crises climáticas como um risco real, e não apenas um obstáculo burocrático.
Para a mobilidade geral, as iniciativas discutidas por Jacqueline podem ter um impacto direto. A transição para uma logística menos poluente e mais eficiente não só beneficiará o meio ambiente, mas também promoverá uma infraestrutura que permitirá um fluxo mais ágil e competitivo de mercadorias, facilitando a mobilidade urbana e reduzindo congestionamentos associados ao transporte de cargas.
O futuro da navegação no Brasil depende da preparação e adaptabilidade a essas novas exigências, trazendo benefícios não apenas ao setor portuário, mas a todos os motoristas e ao público em geral, que se beneficiará de um sistema logístico mais sustentável e eficiente.
Fonte: Instituto Brasil Logística






