Impacto de R$ 11,88 bilhões com a redução da jornada no transporte, diz CNT.

 

Redução da Jornada no Transporte Pode Causar Impacto de R$ 11,88 Bilhões

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) aponta que a redução da jornada no transporte de 44 para 40 horas semanais pode resultar em um impacto significativo de R$ 11,88 bilhões a longo prazo. A estimativa faz parte do estudo técnico “Redução de jornada, mudança de escalas e bem-estar social no setor de transportes”, que examina os efeitos econômicos e operacionais dessa medida no setor.

Coordenado por especialistas em economia e sociologia, o levantamento sugere que, sem um ajuste proporcional de salários, o valor da hora trabalhada poderia aumentar em 10%. Em um setor onde 92,5% dos profissionais operam dentro do limite atual, isso se traduziria em um aumento de 8,6% nos custos com pessoal.

Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, o debate sobre a modernização da jornada deve considerar os efeitos práticos da proposta. Ele ressalta que, se não houver ganho de produtividade, a consequência será o aumento de custos, que pode pressionar os preços e afetar o emprego.

A análise também destaca os desafios associados às escalas de trabalho. Com o setor funcionando 24 horas por dia e sete dias por semana, a redução da jornada exigiria a contratação de cerca de 240 mil trabalhadores adicionais para manter o nível atual de serviço. Contudo, a escassez de mão de obra qualificada se apresenta como um grande obstáculo, já que 65,1% das empresas enfrentam dificuldades para contratar motoristas.

Levanta-se, ainda, a questão da estrutura das empresas do setor, onde 90,5% têm até nove empregados. Nesse cenário, a redução da jornada pode pressionar ainda mais as margens operacionais. Com 47,3% do valor adicionado bruto destinado ao pagamento de pessoal, o excedente operacional bruto é apenas 21% da receita. O aumento de custos pode acarretar repasses ao consumidor e, em algumas situações, inviabilizar operações, resultando também em um potencial aumento da informalidade.

Além disso, o estudo aborda a baixa produtividade do trabalhador brasileiro, que produz em média US$ 17 por hora, um valor inferior ao de economias desenvolvidas. Sustentar o nível atual de atividade com uma jornada reduzida exigiria um aumento imediato de produtividade, o que parece improvável devido a gargalos estruturais, como a deficiência na infraestrutura.

Diante desse contexto, o setor de transporte, que depende fortemente de mão de obra e opera continuamente, demanda que quaisquer mudanças nas regras de jornada e escalas considerem cuidadosamente seus impactos econômicos e sociais. A CNT defende que qualquer alteração deve ser realizada por meio de negociação coletiva, respeitando as especificidades das diferentes atividades e buscando a preservação do emprego formal.

 

Equipe Redação

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