Parceria logística entre Carrefour e indústria melhora eficiência e competitividade.

Colaboração em logística entre Carrefour e indústria gera eficiência, valor e competitividade
A apresentação do case “Como a integração entre Carrefour e Indústria gera eficiência, valor e competitividade” trouxe ao segundo dia da CNL uma visão prática de como o frete colaborativo pode transformar a dinâmica de abastecimento no varejo de grande escala.
Conduzido por Ricardo Ramos, Diretor de Logística do Grupo Carrefour, o case parte de um problema recorrente na cadeia: fornecedores de menor volume enfrentavam dificuldades para atender diretamente os Centros de Distribuição (CDs), devido ao alto custo do frete fracionado. Como consequência, muitos postergavam entregas até atingir volumes economicamente viáveis, resultando em atrasos que impactavam diretamente o nível de abastecimento nas lojas.
A solução estruturada pelo Carrefour foi transformar sua própria malha logística em uma plataforma colaborativa. Utilizando os CDs como pontos de consolidação, a operação passou a reunir cargas de diferentes fornecedores, otimizando o transporte até o destino final. Esse redesenho foi reforçado pela atuação da transportadora própria do grupo, responsável por integrar as coletas e sincronizar as entregas com as rotas já existentes.
Na prática, o modelo cria uma lógica de escala compartilhada: múltiplos fornecedores passam a dividir o mesmo fluxo logístico, aumentando a ocupação dos veículos e reduzindo custos unitários. Em média, um único transporte pode consolidar cargas de até 16 fornecedores, ampliando significativamente a eficiência da operação.
Um dos pontos centrais da apresentação foi a mudança de papel do Carrefour dentro da cadeia. Os Centros de Distribuição, tradicionalmente orientados à operação interna, passam a atuar também como prestadores de serviço logístico para a indústria. Essa transição exigiu uma mudança relevante de mindset, com foco ampliado em controle, qualidade e nível de serviço para parceiros externos.
Do ponto de vista operacional, o projeto enfrentou desafios, como a coordenação de lead times entre diferentes fornecedores, o agrupamento de produtos com características distintas e a necessidade de maior controle sistêmico para garantir rastreabilidade e visibilidade ponta a ponta. Questões contratuais e a definição de SLAs foram fundamentais para viabilizar o modelo.
Os resultados foram expressivos: o nível de serviço evoluiu de 87% para 95%, indicando maior confiabilidade nas entregas. Também houve uma redução de 15% a 35% nos custos de frete para os fornecedores, além da mitigação de riscos como penalidades por falhas logísticas. No campo ambiental, a consolidação de cargas contribuiu para a retirada de veículos das estradas, reduzindo a emissão de CO₂.
Este case evidencia que a colaboração logística, quando estruturada com governança, tecnologia e escala, não é apenas uma alternativa, mas sim uma estratégia central. Mais do que otimizar o transporte, o modelo apresentado pelo Carrefour demonstra como a integração entre varejo e indústria pode reduzir rupturas, ampliar o sortimento e elevar a competitividade de toda a cadeia, conectando eficiência operacional a ganhos comerciais e sustentáveis.
Fonte: abralog






