Motoristas investem em cooperativismo para expandir com app local, com 5% de taxa.

A cooperativa MORADACAR, formada em 2022 por motoristas que atuavam em plataformas digitais, lançou seu próprio aplicativo de mobilidade em Araraquara (SP) há cerca de oito meses. Desde então, a iniciativa vem buscando não apenas aumentar a renda dos condutores, mas também manter o dinheiro circulando na economia local. Thalys Umberto Bagli, presidente da cooperativa, compartilha a trajetória da MORADACAR e seus objetivos futuros.

Bagli trouxe sua experiência do comércio para o mundo dos aplicativos, buscando uma alternativa em tempos difíceis. “Como é uma cooperativa, é fundamental destacar que não temos fins lucrativos”, observa. O nome “MORADACAR” remete à “Morada do Sol”, que é uma tradição local em Araraquara e simboliza o compromisso da cooperativa em servir a comunidade.

Com a intenção de criar um modelo sustentável, a MORADACAR opera com cooperados e parceiros. Os primeiros pagam uma mensalidade de R$ 40 e enfrentam uma taxa administrativa reduzida de 5%, enquanto os parceiros não têm essa obrigação, mas enfrentam taxas maiores. Isto não apenas beneficia os motoristas que se tornam cooperados, mas também cria um ambiente de solidariedade e apoio mútuo. A estrutura de taxas permite que os motoristas, em sua maioria independentes, tenham um retorno maior sobre suas atividades.

A cooperativa já conseguiu mobilizar cerca de 475 motoristas ativos e mais de 6 mil clientes. Atualmente, estão futuras metas de crescimento, como atingir 20 mil clientes para garantir a independência financeira do aplicativo, um passo que poderia fortalecer ainda mais a economia local e também melhorar as condições de trabalho dos motoristas.

Entre marketing e taxas: “O dinheiro fica na cidade”

Embora o crescimento tenha sido visível, Bagli ressalta a importância de manter um equilíbrio entre taxas baixas e a sustentabilidade financeira. Ao contrário de plataformas multinacionais que drenam recursos das economias locais — com até 40% do que os passageiros pagam indo para fora do país — a MORADACAR tem o objetivo de reter essa receita na comunidade, permitindo que o dinheiro circule entre os moradores de Araraquara.

Essa abordagem não só beneficia os motoristas, que recebem uma remuneração justa e melhor, mas também promove um ciclo de melhores serviços e preços mais acessíveis para os passageiros. Ao proporcionar uma alternativa mais justa, a cooperativa estimula um aumento na mobilidade urbana de forma sustentável e inclusiva.

Regulamentação municipal: propostas para a transição da frota

Outro aspecto relevante abordado por Bagli é a regulamentação municipal do setor, que é essencial para garantir segurança, qualidade e um padrão mínimo de veículos. Essa regulamentação não só protegeria os passageiros, mas também ajudaria a elevar os padrões do serviço oferecido por motoristas e aplicativos locais. Ele sugere uma transição gradual na idade máxima dos veículos, permitindo que motoristas e a população se adaptem de forma organizada.

Expansão regional e inovações sustentáveis

A MORADACAR também planeja se expandir para cidades vizinhas e considera a criação de uma cooperativa de crédito para apoiar financeiramente seus motoristas. Isso não apenas reduziria custos, mas também poderia ser um passo significativo em direção à maior sustentabilidade financeira, investindo em seguros mais acessíveis e na compra de novos veículos.

Além disso, há uma visão inovadora para o futuro, com planos para investir em energia solar. Imagine um campo de painéis solares com carregadores para veículos elétricos: esta seria uma iniciativa revolucionária para a mobilidade sustentável na região.

Um apelo por união entre aplicativos regionais

Por fim, Bagli faz um apelo para a cooperação entre plataformas locais, visando uma representação mais forte no debate sobre regulamentações e políticas que afetem o setor. Ao unirem forças, aplicativos regionais podem gerar um impacto maior, garantindo que a voz dos motoristas seja ouvida e respeitada.

Com iniciativas como a MORADACAR, não apenas os motoristas têm a oportunidade de prosperar, mas a própria mobilidade na cidade evolui, tornando-se mais justa, acessível e voltada ao benefício da comunidade local.

Fonte: motorista.com.br

Equipe Redação

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