Compreenda a importância estratégica e o novo capítulo nas relações Brasil-EUA.

Terra raras, Brasil e EUA

(Imagem: Racide/iStock)

As tensões entre o Brasil e os Estados Unidos continuam a crescer após ameaças tarifárias emitidas pelo governo americano. Além de uma questão política, essa disputa pode envolver um novo foco: as terras raras.

Esses minerais, compostos por um grupo de 17 elementos químicos, desempenham um papel essencial na indústria de tecnologia, sendo utilizados na fabricação de veículos elétricos e na construção de usinas eólicas, por exemplo.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, contabilizando 23% do total, atrás apenas da China. Além disso, o país é rico em outros minerais críticos, como nióbio, lítio e cobre. Apesar de suas extensas reservas, a produção brasileira representa menos de 1% do total global, que é crucial para setores como tecnologia, defesa e semicondutores.

Recentemente, o encarregado de negócios da Embaixada americana em Brasília expressou o interesse dos EUA em garantir acesso a esses minerais estratégicos em uma reunião com representantes do Instituto Brasileiro de Mineração.

Empresários também levantaram a possibilidade de incluir esses minerais em um acordo comercial com o vice-presidente do Brasil, que está à frente das negociações. Todavia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a soberania nacional sobre tais recursos, enfatizando a necessidade de proteger os ativos brasileiros.

Por que as terras raras são essenciais?

A demanda global por terras raras deve aumentar 60% até 2040, impulsionada pela transição energética e pela crescente rivalidade tecnológica entre as potências. Atualmente, a produção e o refino dessas substâncias estão amplamente concentrados na China.

Esse cenário gera preocupações sobre a vulnerabilidade estratégica do Brasil. No passado recente, uma alta porcentagem das importações americanas de terras raras provinha da China, levando os EUA a buscar diversificar seus fornecedores, o que inclui potencialmente o Brasil.

Estudos indicam que, se o Brasil se concentrar apenas na mineração, poderá impactar seu PIB em até R$ 47 bilhões até 2050. Contudo, caso consiga agregar valor através do processamento e refino local, esse número pode atingir R$ 243 bilhões no mesmo período.

Nos últimos anos, projetos privados importantes surgiram em Minas Gerais e Goiás, voltados à produção de ímãs para baterias e turbinas. O governo brasileiro também está desenvolvendo uma Política Nacional de Minerais Críticos, com o objetivo de incentivar novos investimentos e o mapeamento geológico adequado.

Para os motoristas, essa questão não é apenas econômica, mas também ambiental e tecnológica. A transição para veículos elétricos e o uso de novas tecnologias nos transportes estão diretamente atrelados a esses minerais essenciais. Portanto, acompanhar as tendências de mercado e a evolução dessa situação é fundamental para entender as futuras inovações no setor automotivo.

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Equipe Redação

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