Especialistas tiram dúvidas sobre fim da escala 6×1 e nova jornada.

Especialistas esclarecem dúvidas de transportadoras sobre fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho – SETCESP
Na manhã de 29 de outubro, uma live promovida pelo SETCESP trouxe à tona importantes esclarecimentos sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho. A discussão se concentrou não apenas nas novas legislações, mas também em como essas mudanças afetam as transportadoras e, por consequência, a mobilidade urbana.
Marcelo Rodrigues, presidente do Conselho Superior e de Administração do SETCESP, enfatizou a relevância de as empresas compreenderem as implicações financeiras e operacionais dessas alterações. “Compreender o impacto financeiro é fundamental para adequar as planilhas de custos”, destacou.
A nova legislação, estabelecida pela Emenda Constitucional 141/2026, prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A partir de dezembro de 2026, a jornada será ajustada para 42 horas, chegando a 40 horas em dezembro de 2027. Essa mudança representará um desafio, mas também uma oportunidade para a melhoria na gestão das transportadoras.
Narciso Figueirôa Jr., especialista em Direito Trabalhista, esclareceu que o novo regime de descanso permite maior flexibilidade. Os dois descansos semanais remunerados não precisam ser fixos em sábado e domingo, podendo ser organizados conforme a necessidade operacional, o que pode beneficiar a logística e a distribuição nas estradas.
Impactos financeiros e produtividade
Raquel Serini, economista e coordenadora de projetos do IPTC, apresentou simulações que mostram como a redução da jornada pode impactar os custos operacionais. A expectativa é que o custo da hora trabalhada aumente em cerca de 4,76% com 42 horas semanais e cerca de 10% ao final da transição para 40 horas. Contudo, esse aumento não equivale necessariamente a um crescimento proporcional no custo total do transporte, pois a mão de obra representa apenas uma parte dos gastos.
Serini também sublinhou as oportunidades de ganhos em produtividade. A diminuição do tempo de espera para liberação de docas e a redução de atrasos no carregamento são medidas que podem resultar em uma operação mais eficiente. Para motoristas e empresas, isso significa menos tempo perdido e, potencialmente, mais entregas em menor tempo. Uma maior eficiência na logística não apenas melhora os resultados financeiros das transportadoras, mas também contribui para uma mobilidade mais ágil nas cidades.
Para auxiliar nesse processo de adaptação, foram recomendadas cinco medidas fundamentais:
- Mapear jornadas, turnos e horas extras.
- Calcular o custo da hora trabalhada e a capacidade operacional.
- Simular contratações e diferentes alternativas de escala.
- Revisar contratos e a composição do preço do frete.
- Monitorar continuamente os indicadores de produtividade.
O IPTC disponibilizou um simulador de impacto gratuito para associados do SETCESP, uma ferramenta que permitirá às transportadoras analisar diferentes cenários e planejar os ajustes necessários. Isso não apenas facilitará a adaptação às novas legislações, mas também poderá sugestionar soluções mais eficazes para a operação.
À medida que o setor de transporte se adapta a essas mudanças, um foco na gestão eficiente e na produtividade será crucial. Isso não apenas trará benefícios financeiros para as transportadoras, mas também contribuirá para um sistema de mobilidade mais eficaz e sustentável, beneficiando motoristas e cidadãos nas áreas urbanas.
Fonte: SETCESP






