Reforma tributária amplia acesso a créditos de impostos no transporte de cargas, dizem especialistas

Reforma tributária amplia direito a crédito de impostos no transporte de carga, apontam especialistas
A reforma tributária está prestes a trazer mudanças significativas para as empresas de transporte de carga, permitindo que elas obtenham créditos amplos sobre todas as linhas de despesas e custos. Segundo especialistas como Rodrigo Santos, diretor de administração e finanças da Tragetta, e Rodrigo Nakamura, sócio-executivo do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), esses ajustes podem ter um impacto profundo sobre a mobilidade e a eficiência do setor.
Embora a nova alíquota geral possa parecer elevada, com uma estimativa de 28% quando consideramos a soma das novas alíquotas de CBS e IBS, o verdadeiro impacto financeiro não está apenas na porcentagem, mas na possibilidade de creditar amplamente. Santos enfatiza que cada empresa deve entender como navegar no novo sistema de créditos para maximizar seus benefícios.
Carga tributária e o jogo de créditos
Atualmente, a carga tributária no setor de transporte gira em torno de 17,5%, mas a reforma promete aumentar esse percentual. Por outro lado, a ampla possibilidade de créditos acaba criando um novo cenário, onde empresas poderão compensar os custos mais facilmente. Essa flexibilidade poderá beneficiar toda a cadeia logística, desde pequenos transportadores até grandes conglomerados, impulsionando a competitividade e a inovação no setor.
Entretanto, o processo não será simples, especialmente para transportadores autônomos e pequenas empresas optantes do Simples Nacional, que ainda enfrentarão particularidades na aplicação das novas regras. A capacidade de aproveitar os créditos tributários dependerá, em muitos casos, da correta adequação às novas legislações e da conformidade com as obrigações fiscais.
Importância da revisão de fornecedores
Diante dessas mudanças, a revisão do cadastro de fornecedores é fundamental. Santos alerta que empresas que mantiverem contratos com fornecedores em desacordo com a nova legislação poderão perder a oportunidade de obter créditos tributários. Essa realidade enfatiza a importância de uma abordagem integrada para a gestão de custos, que pode levar a uma melhoria significativa na eficiência operacional e na redução de gastos.
Impactos no fluxo de caixa
Um dos riscos mais notáveis durante a transição é o impacto no fluxo de caixa das transportadoras. A partir de 2027, com a introdução do modelo de split payment, parte dos valores recebidos pelos fretes será direcionada à Receita Federal na hora do pagamento. Isso significa que, inicialmente, as transportadoras terão menos recursos disponíveis, uma situação que exigirá planejamento financeiro cuidadoso. A longo prazo, a adaptação ao novo sistema pode equilibrar o caixa e melhorar a sustentabilidade das operações.
Mudanças nos incentivos fiscais regionais
Outro ponto relevante a ser considerado é o fim gradual dos incentivos fiscais estaduais e municipais, o que poderá ter um impacto considerável nas decisões logísticas das empresas. A organização das operações, a localização de centros de distribuição, e até mesmo a forma como os serviços são negociados poderão ser afetados. Contudo, algumas exceções, como a Zona Franca de Manaus, preservarão seus incentivos, criando oportunidades únicas para empresas que atuam nessa região.
Conclusão
A reforma tributária representa uma transformação significativa para o setor de transporte. À medida que as empresas se ajustam a esse novo cenário, terão não apenas a oportunidade de otimizar suas finanças, mas também de impactar positivamente a mobilidade e a eficiência do transporte de carga no Brasil. Uma gestão bem planejada e a adaptação às novas regras serão chave para colher os frutos desse novo sistema.
Fonte: abralog






