CNT apoia negociação coletiva e transição gradual na redução da jornada no Senado.

A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 foram discutidos em uma sessão temática no Senado Federal, onde representantes de diversos setores, incluindo o transporte, debateram os impactos sociais e econômicos das propostas em discussão. O presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, enfatizou a importância da negociação coletiva para enfrentar essas mudanças de maneira gradual e responsável, especialmente em um setor essencial como o transporte.
A negociação coletiva é uma ferramenta vital que permite que empregadores e empregados encontrem um terreno comum, levando em conta as particularidades de suas atividades. Vander Costa apontou que já existem práticas de redução de jornadas em setores onde isso é viável, e que qualquer mudança iminente deve ser acompanhada de uma avaliação dos impactos reais. Um dos pontos cruciais levantados foi que uma redução abrupta da jornada poderia resultar em um aumento significativo dos custos operacionais — estimados em mais de R$ 11,8 bilhões anuais apenas no setor de transporte. Esse aumento poderia refletir nos fretes, tarifas e até mesmo em serviços públicos, afetando diretamente o dia a dia da população.
Além dos custos, a escassez de mão de obra é um outro desafio imediato. A proposta de redução linear da jornada exigiria a contratação de um número elevado de motoristas, em um mercado que já enfrenta dificuldades para encontrar profissionais qualificados. Portanto, a implementação de uma transição gradual não somente ajudaria a mitigar os impactos econômicos, mas também proporcionaria tempo para que o setor investisse em melhorias de produtividade e modernização, garantindo um serviço mais eficiente aos cidadãos.
Debate amplia análise sobre os efeitos da proposta
O professor José Pastore, especialista em relações do trabalho, também participou do debate e destacou os desafios jurídicos que a proposta implica. Segundo ele, uma redução da jornada sem alteração na remuneração pode significar um aumento do custo do trabalho, levantando questões sobre sua viabilidade legal. O estudo encomendado pela CNT prevê um aumento de 8,6% nos custos com pessoal e a necessidade de contratação de 240 mil novos trabalhadores para manter os níveis atuais de serviço, o que pode impactar tanto as tarifas quanto a inflação.
Essas discussões são essenciais, pois qualquer mudança na jornada de trabalho não envolve apenas interesses dos empregadores e empregados, mas afeta toda a sociedade. Uma abordagem cuidadosa e bem planejada pode ajudar a garantir que a mobilidade urbana e os serviços essenciais continuem funcionando de forma efetiva, beneficiando motoristas e usuários em geral.
Fonte: setcesp






