EUA acusam empresas chinesas de manipulação de contêineres na pandemia

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) apresentou acusações criminais contra quatro dos maiores fabricantes globais de contêineres marítimos, acusando as empresas de conspirar para restringir a produção e manipular os preços dos equipamentos durante a pandemia de Covid-19.
A investigação envolve as companhias chinesas China International Marine Containers Co., Dong Fang International Container Co., CXIC Group Containers Co. e Singamas Container Holdings Ltd., além de executivos das empresas.
Segundo a acusação, apresentada em janeiro e tornada pública nesta semana, os fabricantes teriam coordenado cortes na produção de contêneres dry — utilizados no transporte marítimo de cargas gerais — entre 2019 e pelo menos 2024. A estratégia, de acordo com o DOJ, contribuiu para provocar escassez global de equipamentos durante um dos períodos mais críticos da logística internacional.
As autoridades americanas sustentam que as negociações para alinhar a produção começaram em março de 2019. Em novembro daquele ano, executivos das companhias teriam se reunido em Shenzhen, na China, para discutir medidas de restrição operacional, incluindo limites no funcionamento das linhas de produção e até a instalação de câmeras de vigilância nas fábricas para monitorar o cumprimento dos acordos.
De acordo com a investigação, a Singamas Container Holdings Ltd. aderiu ao esquema em 2020. O DOJ afirma ainda que as empresas concordaram em não construir novas plantas industriais e limitar o fornecimento de contêineres para determinados clientes, incluindo grandes importadores americanos.
A acusação aponta que a estratégia teria permitido praticamente dobrar os preços dos contêineres entre 2019 e 2021, enquanto os lucros das fabricantes cresceram cerca de cem vezes no período.
“Os acusados mantiveram os suprimentos globais de contêineres marítimos como reféns durante a pandemia, justamente quando as cadeias logísticas mais precisavam deles”, afirmou o procurador-geral adjunto interino do DOJ, Omeed Assefi.
Crise logística global
O caso reacende o debate sobre os gargalos logísticos registrados durante a pandemia, quando a falta de contêineres e os congestionamentos portuários elevaram os custos do comércio internacional a níveis recordes. Essa situação impactou diretamente motoristas e profissionais do transporte, que enfrentaram um aumento considerável nos preços dos fretes, afetando a rentabilidade e a competitividade do setor.
Segundo o DOJ, a redução artificial da oferta contribuiu diretamente para a alta dos fretes marítimos e para a dificuldade de abastecimento enfrentada por importadores em diversos mercados, incluindo os Estados Unidos. Para motoristas brasileiros, essa alta nos custos pode ter um efeito cascata, elevando os preços de bens e serviços, e dificultando a mobilidade urbana ao gerar uma alta nos custos de transporte.
Dados da consultoria Drewry mostram que CIMC, Dong Fang e CXIC concentram parcela significativa da produção global de contêineres. Um relatório publicado em 2022 pela Federal Maritime Commission já indicava suspeitas de que fabricantes chinesas teriam retardado deliberadamente a ampliação da produção mesmo diante da explosão da demanda durante a crise sanitária.
Entre os executivos acusados estão ex-presidentes e diretores das companhias investigadas. Um dos casos envolve Vick Nam Hing Ma, executivo de marketing da Singamas, preso em abril em Paris enquanto tentava embarcar para Hong Kong. Os Estados Unidos solicitaram sua extradição.
As empresas e executivos respondem por supostas violações da Seção 1 da Lei Sherman Antitruste, legislação usada pelos Estados Unidos para combater acordos de fixação de preços e restrições à concorrência.
Fonte: Transportemoderno






