Como o dólar e o diesel altos influenciam os preços dos alimentos?

O aumento no preço do diesel e a valorização do dólar impactam diretamente os preços dos alimentos nos supermercados brasileiros. Mesmo aqueles que não possuem carro ou nunca trocaram reais por dólares sentem reflexos desse cenário nas compras diárias.
Isso ocorre porque grande parte dos alimentos consumidos no país depende do transporte rodoviário. Quando o preço do diesel sobe, o custo de transportar itens como arroz, feijão, carne, frutas e verduras também aumenta significativamente.
Esse acréscimo de custo geralmente é repassado ao consumidor, que acaba pagando mais pelos mesmos produtos. Para ilustrar, imagine um caminhão carregado de arroz saindo de uma fazenda em direção a um supermercado. O motorista deve abastecer para realizar a viagem e, com o aumento do diesel, a transportadora ou o autônomo enfrenta despesas maiores para manter o serviço.
Quando o diesel sobe, o preço do frete pode ser reajustado. Sob a regulamentação da tabela de pisos mínimos da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), há uma previsão de atualização nos fretes sempre que o preço do diesel varia acima de 5%.
E o dólar, qual seu papel no aumento dos preços?
A influência do dólar começa antes mesmo de o alimento ser colocado no caminhão. Os produtores rurais utilizam fertilizantes, defensivos agrícolas e máquinas, muitos dos quais têm preços atrelados ao mercado internacional. Quando o dólar sobe, o custo desses insumos também aumenta em reais, encarecendo a produção de alimentos no Brasil.
Um dado apresentado em 2025 pelo presidente do Banco Central indicou que 41% dos custos de produção agropecuária estavam diretamente vinculados à oscilação da moeda americana. Além disso, produtos como soja, milho e carne possuem mercado internacional, onde a valorização do dólar pode tornar as vendas externas mais atraentes, impactando os preços internos.
Relação entre diesel e dólar
Embora o Brasil produza petróleo, também importa diesel para atender à demanda interna. Como os combustíveis são negociados em dólar, a alta dessa moeda pode encarecer os custos de importação de diesel. Contudo, essa relação não é automática; os preços também dependem de variáveis como cotações no mercado global, impostos e decisões das distribuidoras.
Dessa forma, o consumidor enfrenta uma pressão dupla: a produção e o transporte de alimentos se tornam mais caros.
O reflexo no bolso do consumidor
Quando um supermercado precisa pagar um frete mais alto para receber uma carga de alimentos, tende a repassar esse aumento ao preço dos produtos para manter sua margem de lucro. Como resultado, itens essenciais como arroz, feijão e carne podem ter seus preços elevados, mesmo que a quantidade produzida não sofra grandes alterações.
É importante notar que esse aumento não ocorre de maneira uniforme para todos os produtos. Fatores como safras melhores, concorrência entre supermercados e a diminuição de outros custos podem amenizar essa pressão sobre os preços.
Para os caminhoneiros, a alta do diesel significa também menos dinheiro disponível, caso o valor do frete não acompanhe o aumento dos custos. Portanto, a oscilação do diesel e do dólar é monitorada de perto por profissionais do setor de transporte e do agronegócio, pois, quando ambos permanecem elevados por um período prolongado, o risco de impactos diretos na alimentação das famílias brasileiras aumenta consideravelmente.






