Eleitores em Portugal aguardam em filas para votar

Lisboa se destaca como o maior colégio eleitoral individual do mundo fora do Brasil, com cerca de 79 mil eleitores prontos para votar. No segundo turno das eleições entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), as localidades de votação incluem a Faculdade de Direito, a Faculdade de Letras e a Reitoria, onde os eleitores têm enfrentado filas de aproximadamente 20 minutos. Para gerenciar essa grande quantidade, cerca de 500 voluntários foram mobilizados.
O cônsul-geral de Lisboa, Alessandro Candeas, explicou que, devido a questões de logística, houve mudanças em algumas salas de votação. “A instituição solicitou as salas, mas a alteração foi feita de maneira organizada, permitindo que as pessoas votem com tranquilidade”, relatou.
Para facilitar o processo, o Consulado do Brasil em Lisboa disponibilizou um link onde os eleitores podem informar o número da sua seção e encontrar a sala exata de votação. No Porto, mais de 48 mil brasileiros têm a possibilidade de exercer seu direito de voto no Instituto Superior de Engenharia (ISEP), enquanto em Faro a votação ocorre na sede do Consulado do Brasil.
Com aproximadamente 135 mil pessoas registradas, Portugal se tornou o segundo maior colégio eleitoral fora do Brasil. No entanto, apesar do aumento considerável de 66% de eleitores recenseados desde 2026, a abstenção no primeiro turno alcançou 62%, a maior da história. Lula da Silva obteve a maioria dos votos em Portugal no primeiro turno, com 52,5%, enquanto Flávio Bolsonaro recebeu 38,6% dos votos.
Rita Ramos, natural de Pernambuco, destacou a importância do voto dos imigrantes. “Estamos fora do Brasil, mas nossa voz pode fazer a diferença. Muitos brasileiros estão se mobilizando aqui, e é fundamental que participemos do processo democrático”, enfatizou. Ivair Lopes de Barros, do Espírito Santo, também expressou seu engajamento. “Votar é um exercício de cidadania, e precisamos nos fazer ouvir, mesmo vivendo fora do nosso país.”
O embaixador do Brasil, Raimundo Carreiro, agradeceu o apoio da Universidade de Lisboa e do governo português na organização das votações. “A expansão na Cidade Universitária ajudou a diminuir aglomerações, diferente do que ocorreu em 2022. Esperamos uma afluência de 50% neste segundo turno”, afirmou.
Carreiro também mencionou a crescente preocupação dos imigrantes brasileiros em relação à crise de habitação em Portugal. Esse aspecto tem um impacto relevante na mobilidade e na qualidade de vida da comunidade brasileira residente no país. A participação ativa nos pleitos eleitorais pode, assim, influenciar políticas que melhoram as condições de vida e a mobilidade urbana, áreas frequentemente afetadas pelas decisões governamentais.
Na madrugada do dia 24 de outubro, a Polícia de Segurança Pública (PSP) dispersou manifestantes que protestavam pelo direito à moradia, muitos dos quais são brasileiros. “Estamos atentos às necessidades da comunidade brasileira e trabalhando com o governo e o Banco do Brasil para criar uma linha de crédito que permita a aquisição de habitação em Portugal”, acrescentou Carreiro.
Essas discussões não são apenas sobre direitos e cidadania, mas também refletem a interseção entre a política e a vida cotidiana dos brasileiros em Portugal, onde a mobilidade urbana pode se tornar um tema central à medida que se busca uma maior qualidade de vida. O artigo 15º da Constituição Portuguesa, que garante a equiparação entre estrangeiros e nacionais no gozo dos direitos fundamentais, ressalta a importância dessa inclusão na sociedade.






