Fertilizantes sobrecarregam portos antes da safra.

Fertilizantes pressionam logística portuária às vésperas da safra

O Brasil, que importa 93% dos fertilizantes que consome, enfrenta um cenário desafiador à medida que a safra 2026/2027 se aproxima. Atualmente, os portos brasileiros estão sob pressão para receber e liberar os insumos necessários para o cultivo. Em 2025, o País movimentou cerca de 45,5 milhões de toneladas, com destaque para os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e os terminais do Arco Norte. Porém, entre janeiro e maio deste ano, os desembarques de nitrogenados e fosfatados caíram 8,7% em relação ao ano anterior, enquanto o custo médio de internalização subiu 14,4%.

Este panorama é reflexo de mudanças no mercado internacional e de limitações logísticas. A ureia, por exemplo, teve um aumento significativo, com preços variando entre US$ 480 e US$ 500 por tonelada. Por outro lado, o MAP apresentou uma queda nos preços, situando-se entre US$ 850 e US$ 870 por tonelada. O cloreto de potássio, por sua vez, permaneceu entre US$ 385 e US$ 400.

Para mitigar o risco de congestionamento nas operações portuárias, a Conaportos aprovou em agosto a Resolução nº 3, que prioriza o desembarque de fertilizantes minerais e insumos nutricionais nos portos públicos organizados. Esta medida, que tem validade de seis meses, busca diminuir filas de navios e atrasos na entrega dos produtos ao campo, além de reduzir custos de armazenagem. Vale ressaltar que a iniciativa não altera os controles sanitários e fitossanitários necessários.

Com o segundo semestre concentrando uma parte significativa das importações de fertilizantes, já mais de 80% das compras para a soja 2026/2027 estavam contratadas até o final de julho, com Mato Grosso atingindo 95%, Paraná 92% e Goiás 90%. No entanto, para o milho safrinha de 2027, apenas 35% da demanda foi contratada até agora, o que indica um volume maior de compras a ser realizado nos próximos meses.

O desafio logístico enfrenta um impacto não apenas devido aos preços dos fertilizantes, mas também pela capacidade de atracação, descarga e transporte até as regiões produtoras. A fluidez dos portos se torna, portanto, um aspecto fundamental para a cadeia do agronegócio. A capacidade de resposta dos portos influenciará a disponibilidade de insumos e, consequentemente, o custo final dos produtos agrícolas.

Para os motoristas que atuam nesse setor, a agilidade na movimentação de cargas e a redução nos atrasos podem significar uma maior eficiência nas operações, refletindo diretamente na pontualidade das entregas. Uma logística mais eficiente não só beneficia os operadores dos transportes, mas também garante que os recursos essenciais cheguem a tempo ao campo, contribuindo para a estabilidade e a sustentabilidade da produção agrícola no Brasil.

Fonte: Carta de Logística

Equipe Redação

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