Cerca de 80% dos operadores demoram mais para contratar motoristas

Título: Quase 80% dos operadores levam mais tempo para contratar motoristas – Transporte Moderno
Um levantamento realizado pela Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (Abol) revela um cenário preocupante: 88,9% das empresas apontam a falta de qualificação como o principal obstáculo para a contratação de motoristas. Além disso, 66,7% afirmam que a escassez de motoristas já impacta suas operações.
Os dados ressaltam que 22,2% dos operadores observam impactos significativos em seus negócios, enquanto 66,7% classificam os efeitos como moderados. O mais alarmante é que 77,8% dos entrevistados sentem um aumento no tempo necessário para preencher vagas, seguido pelo aumento dos custos operacionais, mencionado por 66,7%. As dificuldades em atender à demanda e a redução da capacidade operacional afetam 44,4% das empresas.
A baixa atratividade da profissão, citada por 66,7% dos operadores, é um fator crucial nesse cenário. A falta de formação adequada, as condições de trabalho e a jornada também são elementos relevantes, com 44,4% dos participantes fazendo menção a esses problemas. A alta rotatividade e a falta de reconhecimento da atividade adicionam mais pressão à já difícil renovação da mão de obra.
Marcella Cunha, diretora executiva da ABOL, destaca que a escassez de motoristas virou um desafio estratégico para a competitividade da logística brasileira. Ela enfatiza a importância de renovar essa força de trabalho e desenvolver alternativas tecnológicas sustentável. “Se não conseguirmos renovar essa força de trabalho, aumentar a multimodalidade e desenvolver alternativas tecnológicas sustentáveis para suprir essas lacunas, o setor poderá perder competitividade”, afirma.
Tecnologia como Aliada, Não Substituta
Diante das dificuldades, muitos operadores logísticos estão acelerando os investimentos em tecnologia. Nos próximos dois anos, 77,8% das empresas têm a intenção de aumentar os investimentos em sistemas de roteirização e otimização de viagens, bem como em telemetria e monitoramento de frota. Soluções de inteligência artificial e análise de dados também estão no radar, citadas por 66,7% das empresas.
Entretanto, a diretora Marcella alerta que essas tecnologias não têm como substituir o motorista. “A resposta não é escolher a tecnologia em detrimento de pessoas. Não se trata de substituição, mas de complementaridade para solucionar o problema da baixa atratividade da profissão”, afirma.
Melhorias na Infraestrutura
O levantamento também sugere que a retenção de motoristas depende das condições que são oferecidas a eles. Para 55,6% das empresas, a falta de cuidados com a saúde física e mental influencia a permanência na profissão. As medidas mais importantes para tornar a atividade mais atrativa incluem melhorias na infraestrutura dos pontos de parada e descanso (66,7%), valorização por parte dos embarcadores e programas de saúde e segurança, mencionados por 55,6%.
Esse cenário é um reflexo dos desafios enfrentados por todo o setor de transporte. Além da dificuldade na atração de novos profissionais, o envelhecimento da categoria e a baixa entrada de jovens pressionam as transportadoras e operadoras logísticas. Estas buscam equilibrar os ganhos de produtividade com políticas de retenção de mão de obra, um aspecto crucial para manter a capacidade operacional e a eficiência do transporte.
Fonte: transportemoderno






