CNT sugere plano para desenvolver hidrovias e aumentar uso deste modal.

CNT propõe agenda para destravar hidrovias e ampliar participação do modal na matriz logística
A Confederação Nacional do Transporte (CNT) apresentou uma agenda de propostas ambiciosas voltadas para o fortalecimento das hidrovias na matriz de transportes brasileira. O estudo intitulado Propostas para o Desenvolvimento da Navegação Interior Brasileira foi elaborado pela consultoria Pezco, em parceria com os ministérios de Portos e Aeroportos e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e tem um horizonte de planejamento até 2046.
Apresentado durante o workshop Governança e Regulação da Navegação Interior em Brasília, o documento visa subsidiar políticas públicas que promovam o desenvolvimento do transporte hidroviário para cargas e passageiros. É um momento estratégico, considerando que atualmente mais de 60% da movimentação de cargas no Brasil ocorre por rodovias, enquanto as hidrovias, que apresentam menor custo operacional para longas distâncias, permanecem subutilizadas.
O Brasil possui cerca de 63 mil quilômetros de rios navegáveis, mas apenas 20 mil quilômetros são utilizados regularmente. Essa subutilização representa uma grande oportunidade para expandir a navegação interior, ampliando não apenas a eficiência logística, mas também impactando positivamente a mobilidade geral.
Entre os principais obstáculos apontados no estudo estão a fragilidade da governança, a insegurança regulatória, e a falta de um planejamento integrado. Esses desafios devem ser superados para que o setor hidroviário possa ser plenamente desenvolvido, promovendo assim uma matriz logística mais diversificada e sustentável.
A pesquisa também destaca que a navegação interior pode proporcionar uma significativa redução nos custos logísticos, especialmente em corredores de exportação e abastecimento. Além de ser uma alternativa viável economicamente, o modal hidroviário tem o potencial de diminuir o consumo de combustível e as emissões de gases de efeito estufa, alinhando-se às estratégicas de descarbonização da logística.
Valter Souza, diretor de Relações Institucionais da CNT, enfatizou a urgência de diversificar os modais de transporte: "Não podemos continuar com uma matriz em que cerca de dois terços das cargas são transportados por caminhões. Precisamos desenvolver outros modais, e a navegação interior é um deles."
Portanto, a proposta da CNT não só visa melhorar a eficiência do transporte, mas também apresenta um caminho para uma mobilidade mais equilibrada e sustentável, beneficiando motoristas e toda a sociedade ao reduzir a dependência do transporte rodoviário. A logística deve ser considerada uma política de Estado, com planejamento contínuo, independente das mudanças nos ciclos de governo.
Fonte: www.cartadelogistica.com.br






