Carro a etanol ou elétrico: qual é menos poluente?

Quem polui menos: carro movido a etanol ou elétrico?
O Brasil tem uma meta ambiciosa: reduzir emissões de carbono pela metade até 2030 em comparação a 2005 e alcançar a neutralidade climática até 2050. Para atingir esse objetivo, a eletrificação das frotas é uma das principais apostas, destacando os veículos elétricos como uma solução viável.
Entretanto, no Brasil, a eletrificação não é a única alternativa para uma mobilidade sustentável. O país, com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, também se destaca na produção e uso de etanol de cana-de-açúcar, um biocombustível com baixas emissões de carbono. Isso levanta a pergunta: qual dos dois polui menos, um carro elétrico ou um carro movido a etanol?
A falácia do carro elétrico ‘zero emissões’
O debate entre etanol e carros elétricos ocorre em um momento de crescimento significativo na adoção de veículos elétricos no Brasil. Atualmente, há mais de 780 mil veículos eletrificados em circulação, incluindo tanto veículos totalmente elétricos quanto híbridos. Globalmente, as vendas de veículos elétricos e híbridos continuaram a crescer, indicando uma transformação no mercado automotivo.
No entanto, a ideia de que carros elétricos são “zero emissões” é enganosamente simplista. A origem da energia utilizada para recarregar esses veículos é crucial. Se a energia provém de fontes renováveis, como hidrelétricas, sua pegada de carbono diminui significativamente. Contudo, se a energia vem de fontes poluentes, o benefício ambiental é reduzido.
No Brasil, a matriz energética é majoritariamente composta por fontes renováveis, com mais de 84% da geração proveniente de hidrelétricas, energia eólica e biomassa. Portanto, a eletrificação no país favorece a redução das emissões.
Entretanto, essa realidade não é compartilhada em todas as regiões do mundo. Na China e na Europa, por exemplo, a matriz energética ainda depende fortemente de combustíveis fósseis, tornando os veículos elétricos menos sustentáveis nessas localidades.
Etanol: o combustível brasileiro
O Brasil também possui uma vantagem significativa no uso do etanol, um biocombustível de origem vegetal. Sua produção a partir da cana-de-açúcar e milho não depende de petróleo ou carvão, e as plantas absorvem CO₂ durante seu crescimento, compensando parte das emissões resultantes da queima do combustível.
Tecnologias relacionadas ao etanol evoluíram, tornando-o uma alternativa segura e eficiente em termos de emissões. Além disso, o etanol tende a ser mais econômico que a gasolina e o diesel, permitindo que um carro flex abastecido com etanol emita menos gases de efeito estufa do que um carro elétrico recarregado em regiões onde a energia é proveniente de fontes poluentes.
Quem polui menos?
Um estudo de 2023 comparou as emissões de um veículo percorrendo 240,49 km usando quatro fontes de energia diferentes: etanol, gasolina, 100% elétrico com matriz elétrica brasileira e 100% elétrico com matriz elétrica europeia. Os resultados mostraram que, enquanto o carro movido a etanol apresenta menores emissões do que os elétricos recarregados na Europa, o elétrico recarregado no Brasil é o mais limpo entre todos.
Essa comparação destaca a importância de considerar a matriz energética ao avaliar as emissões de diferentes tipos de veículos. Enquanto no Brasil os carros elétricos tendem a ser mais sustentáveis, em regiões onde a energia é derivada de fontes fósseis, o etanol se mostra uma alternativa viável e menos poluente.
Conclusão: diversificação é a chave
Especialistas defendem que o Brasil não precisa escolher entre etanol e eletrificação; a combinação de ambos pode ser a solução ideal para reduzir as emissões. A diversificação na matriz de transporte permite que os motoristas optem pela solução que melhor atenda às suas necessidades e à realidade do local onde vivem.
Esse enfoque não apenas enriquece as opções de mobilidade, mas também contribui para um futuro mais sustentável, onde tanto a eletrificação quanto o uso de biocombustíveis têm seu espaço garantido na luta contra as emissões de carbono. Assim, seja através de um carro movido a etanol ou um veículo elétrico, o Brasil está se posicionando como um líder na busca por uma mobilidade mais sustentável.






