Uber aplica 50% de taxa; cooperativa cobra R$ 100 ou 10% e motoristas ganham até R$ 3/km.

Uber cobra até 50%; cooperativa cobra R$ 100 mensais ou 10% por corrida e motoristas faturam até R$ 3 por km
Insatisfeitos com as taxas elevadas da Uber e 99, um grupo de motoristas na cidade de Imperatriz (MA) decidiu criar um aplicativo de mobilidade, chamado Itz Move, liderado por Lafayette Carlos. Ele acreditava que o sucesso da plataforma dependia de um modelo cooperativista, onde cada motorista teria voz e participação nos lucros.
Lafayette tem um histórico empresarial diversificado, tendo atuado em vários setores antes de entrar no mercado de mobilidade. Em 2019, ao sair do estresse gerado por sua loja de assistência técnica, ele se dedicou aos aplicativos de transporte, transformando sua vida profissional.
A Itz Move adota dois modelos de cobrança: os motoristas podem optar por pagar R$ 100 mensais para corridas livres ou 10% em cada corrida, permitindo que cada um escolha o que mais se adequa à sua realidade econômica. Essa flexibilidade é um aspecto positivo, pois os motoristas em diferentes situações financeiras podem escolher o que mais lhes convém.
Outro diferencial da Itz Move é a inclusão do sinal para mototáxi, uma categoria que, embora não faça parte da cooperativa, ajuda a ampliar a visibilidade do serviço e atrair mais usuários. Esse modelo mostra como a colaboração entre diferentes modalidades de transporte pode beneficiar a mobilidade geral da cidade, oferecendo aos passageiros uma gama variada de opções de viagem.
A criação do aplicativo foi uma resposta às taxas crescentes de empresas como a Uber, que passaram de cerca de 15% para até 50% com a abertura de capital. Lafayette enfatiza que, em um modelo capitalista tradicional, o foco pode mudar do bem-estar dos motoristas para o lucro dos investidores, o que prejudica os trabalhadores.
O cooperativismo não só promove uma gestão mais equitativa, mas também colhe benefícios diretos para os motoristas, que conseguem melhores remunerações. Na Itz Move, é possível faturar até R$ 3 por quilômetro, um valor consideravelmente mais atrativo do que as faixas de R$ 1,30 a R$ 1,40 praticadas nas grandes plataformas. Essa diferença impacta diretamente a qualidade de vida dos motoristas, permitindo que eles possam cobrir suas despesas de maneira mais eficiente.
A trajetória de Lafayette e da cooperativa não foi isenta de desafios. A resistência inicial e a concorrência acirrada com outros aplicativos locais foram barreiras significativas. No entanto, a união dos motoristas que acreditaram na proposta colaborativa foi essencial para a existência e o crescimento da plataforma.
Hoje, a Itz Move conta com 350 motoristas e 31 mil passageiros, e segue em busca de aprimorar seus serviços. A abordagem pessoal de Lafayette, que inclui todos os gestores na operação como motoristas, garante que aqueles que exercem a liderança realmente compreendam as necessidades do coletivo.
O futuro dos aplicativos de mobilidade, especialmente os regionais como a Itz Move, parece promissor, principalmente com a possibilidade de projetos de lei que beneficiem as cooperativas. A necessidade de um trabalho em conjunto e de regulamentações adequadas pode fortalecer ainda mais a posição das plataformas locais, tornando-as essenciais para a mobilidade urbana.
Ao explorar a trajetória de Lafayette e da Itz Move, percebemos que a mobilidade vai além da simples oferta de transporte. Ela envolve questões de justiça social e qualidade de vida, mostrando que a união e o cooperativismo podem trazer soluções sustentáveis e inovadoras para os desafios enfrentados na era das plataformas digitais.






